Nova/velha economia

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Fevereiro 2018

 "A estratégia é clara: apoderar-se do Estado (neste caso vale) para usá-lo como instrumento de acumulação de capital contra a sociedade e os trabalhadores utilizando para isto os mecanismos mais variados", escreve Manfredo Araújo de Oliveira, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Eis o artigo. 

O filósofo inglês J. St. Mill, do século XIX, num texto que se tornou muito conhecido e de muita influência no pensamento político moderno _ On Liberty _ fala do que ele denomina de “tirania social”, que é muito mais terrível do que muitas formas de repressão política já que há poucos meios de escapar dela e penetra muito mais profundamente na singularidade da vida escravizando a própria alma. Por isto, não basta a luta contra a tirania das autoridades, mas é necessária também a luta contra a tirania das opiniões e dos sentimentos hegemônicos. O curioso é que no que diz respeito à economia as opiniões hegemônicas em seu tempo, a que ele mesmo aderiu, são exatamente aquelas que hoje são apresentadas como o passo necessário para tirar nosso país da situação deprimente em que teria sido colocado pelas forças do atraso.

Quais as teses centrais? A luta entre os diferentes interesses individuais é proveitosa para todos os participantes, porque produz a “harmonia” do processo econômico. Por isto a expectativa é que quanto maior for a liberdade individual de ação tanto maior serão o progresso e a felicidade das pessoas. Um novo mundo estava emergindo na medida em que a ciência e sua técnica eram postas a serviço do progresso econômico que levou à revolução industrial. Uma condição fundamental para entrar neste processo é afastar todo obstáculo à ação livre dos indivíduos que produzem. D. Ricardo exprimiu isto com toda clareza ao considerar toda intervenção estatal na economia como inútil e inadmissível. O Estado de nenhuma forma está em condições de superar as leis da concorrência do mercado (consideradas iguais às leis da natureza) através de suas intervenções. O mercado, para o qual a força de trabalho não passa de uma mercadoria, regula-se a si mesmo através do mecanismo da oferta e da demanda. Daí a tese de Mill: tudo o que limita a concorrência é mau, o que a estimula serve ao bem, porque significa a vitória da liberdade na economia e serve aos interesses das grandes massas.

Acontece que este progresso festejado se efetivou produzindo igualmente uma situação de grande penúria da classe trabalhadora em virtude de sua exploração econômica e exclusão de participação no processo político em contraposição manifesta à fé na harmonia da economia liberal. O que se evidenciou foi que esta liberdade era liberdade apenas “para um pequeno grupo” que agora passou à defesa por todos os meios da perpetuação desta situação.

Estas teses foram atualizadas pelo consenso de Washington pela defesa da abertura comercial, liberalização das contas de capital, desregulamentação e descompressão dos sistemas financeiros domésticos com a liberalização das taxas de juros, reforma do Estado, privatização das empresas públicas e da seguridade social, eliminação das políticas “intervencionistas” de fomento às exportações, à indústria e à agricultura. A estratégia é clara: apoderar-se do Estado (neste caso vale) para usá-lo como instrumento de acumulação de capital contra a sociedade e os trabalhadores utilizando para isto os mecanismos mais variados.

Leia mais