A costela do Beato Romero

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Por: André | 25 Julho 2016

Uma das relíquias mais extraordinárias do Beato Óscar A. Romero foi colocada na casinha onde Romero viveu no campus do Hospital da Divina Providência. A conservadora britânica Janet Graffius fala sobre o processo das relíquias na edição mais recente da Romero News, publicada pela Romero Trust em Londres. A relíquia, conta Graffius, constitui “um recordação sinistra do sacrifício de Romero; um pedaço da sua costela, tirada após a sua morte e confiada ao irmão caçula do bispo, Gaspar Romero”.

 
Fonte: http://bit.ly/2a7uidd  


A reportagem é publicada por Super Martyrio, 22-07-2016. A tradução é de André Langer.

Para contextualizar a relíquia, é necessário recuar no tempo e vislumbrar o cenário daquele momento. Romero foi levado para a Policlínica Salvadorenha inicialmente para tentar salvar sua vida, mas finalmente foi feita ali uma autópsia após esforços inúteis para salvá-lo. De maneira que a notícia do assassinato começou a circular pela capital e as pessoas começaram a chegar ao hospital, incluindo os irmãos de Romero: Tiberio, Mamerto, Zaida e Gaspar. “Ao chegar, nem queria me deixar entrar, mas me identifiquei”, recorda Gaspar Romero em uma entrevista. “Pelas 10 horas entraram todos os meus parentes e aí fiquei a noite toda”.

A já falecida irmã Zaida Romero tinha contado o triste drama da sua chegada: “Na porta da policlínica nos encontramos com minha nora. Ela me disse: ‘Menina Zaida, menina Zaida’, e os que estavam com ela já me abraçaram. ‘Calma, calma, lembre-se do que ele lhe dizia’. Não queriam me deixar entrar lá no quarto onde estava. ‘Eu entro’, eu disse, ‘porque andei com ele durante 26 anos’. [Ao entrar,] beijei-lhe a testa e depois, não sei por que, lhe apertei os pés. Os pés estavam gelados, gelados. Olhe só que coisa!”

Gaspar Romero e seu irmão Mamerto, também já falecido, permaneceram junto ao corpo. “Vi que abriram a parte esquerda do tórax para extrair os fragmentos de uma bala explosiva”, recorda Gaspar. A viúva de Mamerto recorda como o falecido irmão recordava vivamente o projétil (pequenos fragmentos da bala) que ficaram incrustados na carne e no tecido do tórax. “Ele dizia a cada pouco, que era uma areia e que não conseguia esquecer isso”, disse dona Tinita, viúva de Mamerto.

Roberto Cuellar, membro do Socorro Jurídico da Arquidiocese, também acompanhou a necropsia. “O impressionante da autópsia”, recorda Cuellar, “foi ver como lhe abriam o esterno, porque aqueles eram métodos rudimentares, sem as motosserras nem o instrumental elétrico que se utiliza hoje. Tiveram que usar, com Romero, uma espécie de cinzel. Pa, pa, pa!, para quebrar o osso”, disse Cuellar martelando no ar. Segundo o relatório da autópsia, “a bala penetrou na altura do coração e seguiu sua trajetória transversal, alojando-se finalmente na quinta costela dorsal”.

Depois do exame, aquela cena se tornou uma espécie de caça, em que todos tratavam de levar alguma recordação – ou relíquia – desse terrível, mas histórico, momento: um frasco com o sangue de Romero que os médicos tinham coletado; lençóis ensanguentados dos quais as irmãs fizeram depois escapulários para distribuir aos devotos; os fragmentos da bala; um pano usado para limpar o sangue do corpo de Romero... até sua cruz peitoral.

Quando um jornalista estava saindo com o pedaço da costela extraída do tórax do mártir, Gaspar Romero o impediu e o obrigou a entregar-lhe a valiosa relíquia. Ele a conservou nestes 35 anos. Nesse tempo, “o osso se esfarelou”, conta a conservadora Graffius.

“Com minha orientação, Gaspar permitiu que o osso fosse secado e eu o separei em dois pequenos relicários de cristal”, disse Graffius. “Um deles foi mantido pela família de Gaspar, o outro foi generosamente doado às irmãs do Hospital da Divina Providência”, o lugar onde Romero viveu os últimos três anos, e onde entregou sua vida naquele fatídico 24 de março de 1980.

“O processo foi inteiramente gravado, assinado e aprovado por um advogado canônico, e o relicário foi entregue às irmãs em novembro de 2015. Foi um dia muito emotivo para todos”, conta Graffius. “As irmãs criaram um espaço para a relíquia embutido no piso da peça que servia de escritório, dormitório e espaço privado de oração. A relíquia ficou selada sob um azulejo de cristal, com uma iluminação LED discreta para sua conservação”.

O Pe. Jon Sobrino (na foto, à direita) celebrou a missa que oficializou a entrega.

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