Brasil e Alemanha lançam na Amazônia bases de torre de observação maior que a Eiffel

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Agosto 2014

A cerimônia de lançamento das fundações da torre de 325 metros acontecerá nesta sexta-feira, na RDS do Uatumã. Operacionalizada pelo Inpa, Torre Atto auxiliará nos estudos sobre clima e trocas gasosas na Amazônia.

A reportagem é de Camila Leonel, publicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, 15-08-2014.

Como um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta e que desempenha papel importante na estabilização do clima, a floresta tropical na Amazônia receberá ainda este ano uma torre de 325 metros de altura – sete a mais que a torre Eiffel, na França – para observação das mudanças climáticas. A Torre Atto (Observatório de Torre Alta da Amazônia, em inglês: Amazon Tall Tower Observatory) é um empreendimento conjunto do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em parceria com o Instituto Max Planck (Alemanha), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e outras instituições parceiras.

A cerimônia de lançamento das fundações e coluna angular que servirão de base para a Atto acontece, às 12h, desta sexta-feira (15), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, em São Sebastião do Uatumã (município a 150 quilômetros de Manaus). O local onde será instalada a torre foi escolhido após uma série de estudos e ficará numa área de terra firme na floresta, tipo de ambiente mais comum na variada paisagem amazônica.

De acordo com o coordenador do projeto por parte do Brasil, o pesquisador do Inpa Antônio Manzi, Brasil e Alemanha investirão R$ 7,5 milhões na construção da torre. A previsão é que as obras sejam concluídas em novembro de 2014.

O objetivo de longo prazo da Atto é medir os impactos das mudanças climáticas globais nas florestas de terra firme da Amazônia por meio de medidas da interação da floresta com a atmosfera, além de servir para pesquisas inéditas de química da atmosfera (trocas gasosas, reações químicas e aerossóis), processos de transporte de massa e energia na camada limite atmosférica e processos de formação e desenvolvimento de nuvens.

“Queremos diminuir as incertezas nesses campos da pesquisa científica e contribuir para aprimorar a representação da Amazônia e outras áreas tropicais úmidas nos modelos climáticos”, diz Manzi, que é doutor em física da atmosfera.

A Atto será a primeira torre desse tipo na América do Sul. Ela também será quatro vezes maior que a atual torre de observação do Inpa, que possui 80 metros de altura. No total, o Inpa possui na Amazônia outras torres de observação. As estruturas da Atto foram construídas em Curitiba (Paraná) e transportadas em seis carretas para a Amazônia.

Conforme Manzi, a construção da torre de observação faz parte de um acordo bilateral de cooperação científica entre Brasil e Alemanha. O lado brasileiro é representado pelo Inpa, enquanto a Alemanha é representada pelo Instituto Max Planck de Química, que é um instituto interessado principalmente nas interações químicas entre a floresta e a atmosfera. A Atto faz parte do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), implementado em 1998.

A previsão é que a instrumentação a ser instalada na Atto funcione 24 horas por dia durante um período de 20 a 30 anos. Outras quatro torres menores, com 80 metros cada, serão construídas em volta da Atto para medir fluxos e transportes horizontais, auxiliando na obtenção de dados da torre principal.

Conforme Manzi, a torre Eiffel possui 118 metros de altura, alcançando 324m com o sistema de para-raios. A torre Atto terá 325m de altura chegando a 330m com o sistema de para-raios.

Parceiros

Na cerimônia é prevista a participação de representantes de várias instituições federais e estaduais do Brasil e instituições da Alemanha que apoiam, participam e financiam o Projeto ATTO: o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos ), o Inpa, a UEA, a Secti (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas), a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas ), a SDS (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável).

Também devem participar representantes do Centro Estadual de Unidades de Conservação (SDS/CEUC) e da gestão da RDS Uatumã, a Seinfra (Secretaria de Estado de Infra-Estrutura do Estado do Amazonas), a Ufam (Universidade Federal do Amazonas), a Fundação Eliseu Alves de Brasília (DF) responsável pela administração do Projeto ATTO, a Embaixada da Alemanha representando o Ministério Federal de Ensino e Pesquisa da Alemanha (BMBF), o MPIC representando a Sociedade Max Planck e a empresa San Soluções Empresariais Ltda de Curitiba (PR), que ganhou a licitação pública para construir a torre ATTO.