Taxas de suicídio em Canguçu, RS, estão entre as maiores do país

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22 Julho 2014

Dados nacionais apresentados pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais revelam: Canguçu está na 13ª posição entre os cem municípios brasileiros - acima de 20 mil moradores - com maiores taxas de suicídio. Só em 2012 foram 14 mortes; o equivalente a 26,2 casos por cem mil habitantes. As informações, que integram o Mapa da Violência 2014, dão caráter oficial a um panorama que cruza gerações e faz parte da história de Canguçu, o maior minifúndio do país, com dez mil pequenas propriedades ligadas à agricultura familiar.

A reportagem é de Michele Ferreira, publicada pelo jornal Diário Popular, 21-07-2014.

E é justamente a extensa área rural, que condena milhares de pessoas à sensação de isolamento - com regiões como o 5º distrito a 70 quilômetros da sede -, o pano de fundo de parte desses casos, junto a uma série de fatores que leva moradores, homens e mulheres, das mais variadas idades, a abreviarem a vida. Há décadas. São episódios, não raro, mergulhados em depressão e, por vezes, relacionados ao uso abusivo de bebidas alcoólicas; outra marca enraizada na cultura de Canguçu, reconhecida pela pecuária e pela produção de fumo, feijão, milho e soja.

Os relatos estão por todos os lados. Nas zonas rural e urbana. Basta colocar o tema em pauta e, em seguida, vêm à tona uma nova situação, com nome e sobrenome. Não são simples comentários. São vivências como a do técnico de Enfermagem Amilton Vergara Neitzke, que chegou a aplicar injeção em um paciente enquanto, no quarto ao lado, o irmão do doente estava morto, enforcado. "Estranhei que a porta da casa estava fechada. Pulei a janela, apliquei a injeção, deixei um bilhete explicando que havia entrado e, só depois, vim saber que ele já estava morto quando estive ali."

O risco da aprendizagem social

Quando um novo suicídio é registrado não há apenas uma tragédia familiar. Há o risco de, com o tempo, o comportamento se multiplicar naquela sociedade. Não é mito. É a teoria da aprendizagem social - destaca o professor da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Luciano de Mattos Souza. É uma das explicações que ajudariam a compreender o cenário de Canguçu. São modelos que se repetem e, ao longo dos anos, podem incorporar a cultura de um povo.

Diante de uma situação de dificuldade, o cidadão acaba por recorrer ao suicídio como solução. "O suicídio passa a ser uma opção, mesmo que equivocada. Passa a ser uma forma de lidar com o problema", enfatiza o doutor em Psicologia. Daí a importância do amparo de parentes e amigos e do acesso a políticas públicas de saúde com foco na prevenção.

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