''Do conflito à comunhão'': novo documento sobre o diálogo católico-luterano

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Junho 2013

Curar a recordação da divisão e colaborar para chegar a uma unidade renovada, "do conflito à comunhão". E "Do Conflito à Comunhão" é também o título do documento sobre o diálogo católico-luterano apresentado nessa segunda-feira na coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça, na presença do cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O purpurado foi convidado para a apresentação dos eventos comemorativos de 2017, com os quais a Federação Luterana Mundial vai lembrar os 500 anos da Reforma.

A reportagem é de Philippa Hitchen, publicada no sítio da Radio Vaticana, 18-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Sobre a importância do documento, entrevistamos o Mons. Matthias Turk, responsável pelas relações católico-luteranas do dicastério pontifício.

Eis a entrevista.

É um marco muito importante, depois de tantos séculos de conflito...

É uma etapa realmente muito importante. Depois de tantos séculos de conflitos e mal-entendidos – que levaram até a guerras entre nações e entre pessoas dentro de um mesmo país, como todos sabemos pela história –, esse é o primeiro aniversário da Reforma que podemos abordar juntos, ecumenicamente. Como disse Martin Jung, secretário-geral da Federação Luterana Mundial, a comemoração da Reforma será um evento internacional, mas deverá ser um evento ecumênico e deverá nos chamar a um testemunho comum, enfatizando o que compartilhamos, em vez de ressaltar o que ainda nos divide.

A intenção desse documento – como se diz especificamente – não é "contar uma história diferente", mas sim "contar a história de forma diferente". O que isso significa, exatamente? Como se prossegue nesse caminho?

As razões que levam a divisões na Igreja muitas vezes se fundamentam sobre mal-entendidos e sobre interpretações diferentes dos mesmos conteúdos de fé e das mesmas convicções teológicas. No diálogo ecumênico internacional comum, soubemos redescobrir os fundamentos comuns, as bases comuns que temos sobre as questões de fé e soubemos afirmar que esses pontos não são mais um motivo de divisão entre as Igrejas. O nosso documento resume todos esses passos como uma coleta do que temos em comum e se projeta para o futuro, em busca do próximo passo no testemunho comum ao mundo de hoje.

Quais seriam ser esses passos, segundo o senhor, na urgente necessidade de um testemunho comum nas nossas sociedades cada vez mais secularizadas?

A questão de Deus é muito importante, como o Papa Bento XVI também lembrava com força, mas há outras ainda. Devemos dar testemunho diante de Deus, Criador e Salvador, de Jesus Cristo e do Espírito Santo. Esse Deus Trino é aquele em que nós nos reconhecemos e é aquele que instituiu a Igreja, una, santa, católica e apostólica, que somos nós. Devemos superar as nossas divisões e representar o que o próprio Jesus Cristo instituiu para nós: só isso poderá convencer as pessoas de todas as idades, sobretudo nos nossos tempos.

O documento também sublinha a importância que os pentecostais e os novos movimentos cristãos exercem na busca da reconciliação...

Nós mantemos contatos intensos com as denominações cristãs em nível universal, e esse documento poderia ser um texto de partida para todos os tipos de diálogo ecumênico, não só entre a Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica, mas também no que diz respeito ao diálogo com outros interlocutores ecumênicos, porque ele fala sobre as intenções de fundo das reformas da Igreja, que são sempre necessárias, e fala da nossa relação com Deus.