William Blake na oração inter-religiosa desta semana

Reprodução de parte da obra O Retorno do Filho Pródigo, do Séc. XVII. Por Rembrandt, atualmente no Museu Hermitage, em São Petersburgo | Wikimedia Commons

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31 Agosto 2018

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é a absoluta transcendência e a absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora - MG.

A imagem de Deus

À Compaixão Pena Paz e Amor,
Todos oram em seus medos:
E a estas virtudes de deleite
Rendem agradecimentos.

Pois Compaixão Pena Paz e Amor,
São Deus nosso pai amado:
E Compaixão Pena Paz e Amor,
São o Homem, filho e cuidado.

Compaixão tem coração humano
Pena tem humana face:
E Amor, divina forma do humano,
Vestes humanas a Paz.

E todo homem que em sua angústia reza,
Seja ele de qualquer região,
Reza à divina forma do humano
Amor Paz Pena Compaixão.

Que todos amem a forma humana,
Pagãos, turcos ou judeus
Onde há Compaixão, Amor & Pena,
Lá também reside Deus.

Fonte: William Blake. Canções da Inocência e da Experiência. Belo Horizonte: Crisálida, 2005, p. 53.

Retrato de William Blake pintado por Thomas Phillips,
acervo da National Portrait Gallery (Fonte: Wikipedia)

William Blake (1757 — 1827): Foi um poeta, ilustrador e pintor inglês, visto como um dos mais importantes artistas do Romantismo britânico. Desde cedo começou a escrever poesias e fazer ilustrações, a partir das suas visões de anjos. Ingressou na Academia Real de Artes - consagrada instituição de artes -, onde criou uma técnica de impressão que utilizava uma placa de cobre que chamou de “impressão iluminada”. E, a partir desta invenção, publicou vários poemas ilustrados, como Cantos da Inocência (1789) e Cantos da Experiência (1794), entre outros. Suas obras foram inspiradas, principalmente, pela Bíblia e suas ilustrações, em sua maioria, eram permeadas por temas religiosos.  

Blake escreveu e ilustrou mais de vinte livros, incluindo "O livro de Jó" da Bíblia, "A Divina Comédia" de Dante Alighieri - trabalho interrompido pela sua morte. Seus trabalhos também se distinguem pelos ideais libertários, em especial no poema Songs of Innocence and of Experience (Canções da Inocência e da Experiência), no qual indicava a igreja e a alta sociedade como exploradores dos fracos. O mesmo poema já trazia trechos envoltos no misticismo.