Semeando com fé. Comentário de José Antonio Pagola

Foto: Birmingham Museums Trust/Unsplash

10 Julho 2026

Para exercer seu poder libertador, este evangelho deve ser apresentado fielmente, em toda a sua verdade, suas exigências e sua esperança. Sem distorções ou covardia. Sem parcialidade intencional ou manipulação em benefício próprio.

O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, ao Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 13,1-23, que corresponde ao 15º Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico, publicado por Religión Digital, 06-07-2026.

Eis o comentário.

Em poucos anos, estamos passando de uma sociedade profundamente religiosa, onde o cristianismo desempenhava um papel decisivo na vida das pessoas e na convivência social, para um estilo de vida mais secular e não religioso, onde a religião está perdendo importância.

Acostumados a uma "sociedade cristã" onde a religião estava visivelmente presente em nossas ruas, praças, escolas e lares, muitos fiéis se sentem inquietos e sofrem diante da nova situação.

Mais ainda. Quase sem perceber, podemos chegar à conclusão de que o evangelho perdeu seu poder anterior e que a mensagem de Jesus não tem mais força ou poder de convencimento para o homem moderno.

Por isso, é necessário ouvir atentamente a parábola de Jesus. Mesmo em sua aparente insignificância e modéstia, o Evangelho ainda contém um poderoso potencial para "salvar" a humanidade daquilo que a desumaniza. Dificilmente encontraremos algo ou alguém que possa dar um sentido mais humano e libertador às nossas vidas.

É verdade que para exercer seu poder libertador este evangelho deve ser apresentado fielmente, em toda a sua verdade, suas exigências e sua esperança. Sem distorções ou covardia. Sem parcialidade intencional ou manipulação em benefício próprio.

É verdade também que o evangelho exige uma aceitação sincera e total entrega. E existem muitos fatores que, como riqueza, interesses egoístas ou covardia, podem sufocar e anular a eficácia das palavras de Jesus.

Mas o Evangelho ainda possui um poder humanizador inesperado nos dias de hoje. Esquecer isso seria um erro lamentável para a sociedade moderna. Em todo caso, nós, os crentes, devemos lembrar que este não é um tempo de "colher", mas sim um tempo de semear com fé no poder renovador contido no Evangelho.

Leia mais