"Aprender a dar". Artigo de José Antonio Pagola

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26 Junho 2026

"Precisamos todos escutar com mais atenção e profundidade as palavras de Jesus. Não ficará sem recompensa nem mesmo o copo de água fresca que saibamos dar a um pobre sedento. Temos de aprender a regalar o que está vivo em nós e pode fazer bem aos outros: dar nossa alegria, compreensão, encorajamento, esperança, acolhida ou proximidade."

O artigo é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, publicado por Religión Digital, 24-06-2026.

Eis o artigo.

Às vezes não é tão fácil responder às perguntas mais simples. Ouvimos dizer com frequência que amar é dar. Mas o que é dar? Muitos supõem que dar é apenas privar-se de algo, renunciar a algo, "sacrificar-se" desprendendo-se de alguma coisa. Estamos tão condicionados pela nossa sociedade do bem-estar e tão inclinados a possuir, acumular e ganhar, que "dar" nos parece algo improdutivo. Um empobrecimento que não estamos dispostos a aceitar. Em nossa sociedade, quem dá sem receber é uma pessoa pouco prática, sem senso realista, pouco inteligente.

No entanto, dar é algo totalmente distinto. O gesto de dar é a expressão mais rica de vitalidade, riqueza e poder criador. Quando damos algo de verdade, experimentamos a nós mesmos cheios de vida, transbordantes, com capacidade de enriquecer os outros, ainda que seja em grau muito modesto. "Só o amor faz que a vida mereça ser vivida. Só a ajuda aos outros proporciona a grande alegria de viver" (Karl Tillmann).

Dar significa estar vivo e ser rico. Quem tem muito e não sabe dar não é rico. É um homem pequeno, impotente, empobrecido, por mais que possua. Na realidade, só é rico quem é capaz de regalar algo de si mesmo aos demais.

Precisamos todos escutar com mais atenção e profundidade as palavras de Jesus. Não ficará sem recompensa nem mesmo o copo de água fresca que saibamos dar a um pobre sedento. Temos de aprender a regalar o que está vivo em nós e que pode fazer bem aos outros: dar nossa alegria, compreensão, encorajamento, esperança, acolhida ou proximidade.

Muitas vezes não se trata de coisas grandes nem espetaculares. Simplesmente, "um copo de água fresca": um sorriso acolhedor, uma escuta sem pressa, uma ajuda para levantar o ânimo abatido, um gesto de solidariedade, uma visita, um sinal de apoio e amizade. Não nos esqueçamos. No fundo da vida há alguém que abençoa, acolhe e recompensa todo gesto de amor, por pequeno que nos possa parecer. Chama-se Deus, nosso Pai.

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