22 Mai 2026
Aquele que ressuscitou e que é o mesmo crucificado – uma realidade expressa pelo gesto de mostrar-lhes as mãos e o lado – é agora aquele que concede os dons do Espírito e, mais ainda, o próprio Espírito.
Os discípulos estavam reunidos num só lugar quando veio um som, como de vento impetuoso, que encheu toda a casa.
O dom do Espírito permite que a pregação das maravilhas de Deus, isto é, as Boas Novas, comece e alcance pessoas em todos os lugares.
Pentecostes celebra o início da Igreja e da missão evangelizadora, não pela nossa própria força, mas pela ação do Espírito.
O artigo é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 20-05-2026.
Eis o comentário.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. (João 20,19-23)
A leitura do Evangelho de hoje é a mesma que discutimos no Segundo Domingo da Páscoa, na qual Jesus aparece aos seus discípulos, e Tomé não está com eles. No entanto, aqui apenas a primeira parte é narrada, e Tomé não é mencionado. O importante é o dom do Espírito que Jesus lhes concede nesta primeira aparição. Sua saudação se refere ao dom escatológico da paz. Este dom vem de Deus, e o Cristo ressuscitado, que é o mesmo Cristo crucificado — uma realidade expressa pelo gesto de lhes mostrar as mãos e o lado — é agora o doador dos dons do Espírito e, de fato, do próprio Espírito.
Com o dom do Espírito vem a missão, assim como Jesus a recebeu do Pai. Agora é Jesus quem envia seus discípulos e também lhes dá o poder de perdoar pecados. De fato, o reino que Jesus confia aos seus seguidores visa libertá-los de todas as formas de escravidão, de todos os males.
Também conhecemos o texto dos Atos dos Apóstolos (2,1-11) que é proposto como primeira leitura para a liturgia de hoje. Este texto narra que, coincidindo com a festa de Pentecostes, quando os judeus vão a Jerusalém para a celebração (como fazem para a Festa dos Tabernáculos e a Páscoa), os discípulos estão reunidos num só lugar quando um som como o de um vento impetuoso enche toda a casa. Além disso, línguas de fogo aparecem e pousam sobre cada um deles, e começam a falar em diferentes línguas. Curiosamente, aqueles que os ouvem os entendem em sua própria língua. Portanto, o dom do Espírito permite que a pregação das maravilhas de Deus — isto é, a Boa Nova — comece e alcance pessoas em todos os lugares. Contudo, o dom do Espírito precisa ser recebido. É por isso que o texto termina dizendo que alguns se alegram com o que estão vendo, enquanto outros dirão que os discípulos estão embriagados.
Pentecostes, portanto, celebra o início da Igreja e da missão evangelizadora, não por nossa própria força, mas pela ação do Espírito. Se no domingo passado dissemos que Jesus não nos deixou, mas permanece conosco, hoje podemos dizer que o seu Espírito acompanha definitivamente a missão para a qual somos chamados e será ele quem a levará à perfeição. Isso exige, porém, nossa abertura e disponibilidade para que seus frutos se manifestem em nossas vidas e alcancem pessoas de todos os lugares e tempos.
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