Livre. Comentário de José Antonio Pagola

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29 Agosto 2025

  • Em nossa civilização das posses, quase nada é de graça. Tudo é trocado, emprestado, devido ou exigido. Ninguém acredita que é melhor dar do que receber. Só sabemos prestar serviços remunerados e cobrar juros por tudo o que fazemos ao longo do dia.

  • Somente na doação altruísta é que se podem saborear o verdadeiro amor, a alegria, a solidariedade e a confiança mútua.

O comentário é de José Antonio Pagolla, teólogo espanhol, referente ao Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 14,1.7-14, que corresponde ao 22º Domingo do Tempo Comum, Ano C, publicado por Religión Digital, 25-08-2025.

Eis o comentário.

Há uma bem-aventurança de Jesus que nós, cristãos, ignoramos: "Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Bem-aventurados serás se não tiverem com que te pagar". Na realidade, é difícil para nós compreendermos estas palavras, porque a linguagem da gratuidade nos parece estranha e incompreensível.

Em nossa "civilização das posses", quase nada é de graça. Tudo é trocado, emprestado, devido ou exigido. Ninguém acredita que "é melhor dar do que receber". Só sabemos prestar serviços remunerados e "cobrar juros" por tudo o que fazemos ao longo do dia.

No entanto, os momentos mais intensos e culminantes da vida são aqueles em que sabemos viver livremente. Somente na doação altruísta podemos saborear o verdadeiro amor, a alegria, a solidariedade e a confiança mútua. Gregório de Nazianzo disse que "Deus fez do homem o cantor de seu esplendor", e, certamente, o homem nunca é maior do que quando sabe irradiar amor livre e altruísta.

Não poderíamos ser mais generosos com aqueles que nunca podem nos retribuir o que fazemos por eles? Não poderíamos estender a mão àqueles que vivem sozinhos e desamparados, pensando apenas em seu bem-estar? Viveremos sempre zelando por nossos próprios interesses?

Acostumados a perseguir todo tipo de alegrias e satisfações, ousaremos saborear a felicidade oculta, porém autêntica, encontrada em nos entregarmos livremente a quem precisa de nós? Charles Péguy, um fiel seguidor de Jesus, estava convencido de que, na vida, "quem perde, ganha".

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