Ateísmo superficial

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02 Novembro 2018

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 12,28-34 que corresponde ao 31° Domingo do Tempo Comum, ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. No Brasil celebra-se a Solenidade de Todos os Santos.

Eis o texto

São bastantes os que durante estes anos passaram de uma fé ligeira e superficial em Deus a um ateísmo igualmente frívolo e irresponsável. Há quem eliminou de sua vida toda a prática religiosa e se desligou de qualquer relação com uma comunidade crente. Mas isso é suficiente para resolver com seriedade a postura pessoal diante do mistério último da vida?

Há quem diga que não acredita na Igreja nem “nos inventos dos padres”, mas acredita em Deus. No entanto, que significa acreditar num Deus de quem nunca se recorda, com quem nunca se dialoga, a quem não se escuta, de quem não se espera nada com alegria?

Outros proclamam que já é hora de aprender a viver sem Deus, enfrentando a vida com maior dignidade e personalidade. Mas, quando se observa de perto a sua vida, não é fácil ver como o abandono de Deus o ajudou concretamente a viver uma vida mais digna e responsável.

Muitos fabricaram a sua própria religião e construíram uma moral própria à sua medida. Nunca procuraram outra coisa senão situar-se com certa comodidade na vida, evitando todas as interrogações que pudessem questionar seriamente a sua existência.

Alguns não saberiam dizer se acreditam em Deus ou não. Na realidade, não entendem para que possa servir isso. Eles vivem tão ocupados em trabalhar e desfrutar, tão distraídos com os problemas de cada dia, os programas de televisão e as revistas do fim de semana, que Deus não tem lugar nas suas vidas.

Mas estaríamos enganados, os crentes, se pensássemos que este ateísmo frívolo se encontra apenas nessas pessoas que se atrevem a dizer em voz alta que não acreditam em Deus. Este ateísmo pode estar penetrando também nos corações dos que nos chamamos crentes: às vezes nós mesmos sabemos que Deus não é o único Senhor da nossa vida, nem sequer o mais importante.

Façamos apenas uma prova. Que sentimos no mais íntimo da nossa consciência, quando escutamos devagar, repetidas vezes e com sinceridade estas palavras? “Escuta: o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, com todas as tuas forças”. Que espaço ocupa Deus no meu coração, na minha alma, na minha mente, em todo o meu ser?


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