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19 Dezembro 2012

São três domingos, para compreender que o Cristo virá no dia prometido, que o Cristo vem hoje e que o Cristo já veio, um dia, no tempo. Neste último domingo do Advento, a liturgia nos convida a voltarmos até a fonte de nossa vida de cristãos: não é ainda o dia do nascimento do Cristo, mas já podemos contemplá-lo, ao fazer Isabel encher-se do Espírito Santo, e alegramo-nos com Maria que acreditou nas palavras do Senhor.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 4o Domingo de Advento - ciclo B. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara, e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1a leitura: Miqueias 5,1-4
2a leitura: Hebreus 10,5-10
Evangelho: Lucas 1,39-45

Sacrifícios

Ficamos felizes por ouvir Deus dizer que não deseja os nossos sacrifícios (citação do Sl 40 na 2ª leitura). No Salmo 50 (7-14), ouvimos Deus declarar que não come a carne dos touros e que todos os animais da terra lhe pertencem. O antropólogo René Girard explica que, divididos por suas invejas e cobiças, os homens, para se reconciliarem, tomam uma vítima supostamente carregada de todas as violências do povo e que, sendo imolada, ela leva embora a violência toda cometida, tornando-se sagrada desde então. Diversos outros elementos se conjugam a esta perspectiva. Trata-se também de satisfazer e, portanto, de apaziguar a cólera de um Deus ultrajado. Acrescente-se, no caso de Israel, a vontade de instituir-se um rito que signifique que todas as riquezas naturais que nos alimentam nos são dadas por Deus.

Todos estes aspectos do sacrifício foram aplicados ao Cristo, mas valem apenas a título de metáforas. A Epístola aos Hebreus, frequentemente mal interpretada, explica que, com o Cristo, tudo o que se refere ao sacrifício muda de sentido. Em primeiro lugar, não se trata mais de oferecer alguma coisa, mas sim de oferecer-se a si próprio, de reconhecer que pertencemos à nossa origem, Deus. Além disso, não se trata mais de “o Pai acalmar o seu furor”, mas de amar até o fim, até o fim de si mesmo. Donde se conclui que o termo “sacrifício” é cheio de ambiguidades e que só podemos usá-lo com muitas precauções.

O verdadeiro sacrifício

No Antigo Testamento, é com muito trabalho que, aos poucos, este “sacrifício” vai perdendo o seu sentido arcaico para se tornar “sacrifício de louvor”. O Salmo 50 conclui assim os versículos sobre a recusa de Deus aos holocaustos: “quem por sacrifício me oferece a ação de graças, este me glorifica”. Deus dá, nós recebemos. O reconhecimento, portanto, é o verdadeiro sacrifício. Santo Agostinho escreve que “o verdadeiro sacrifício é toda a boa ação pela qual nos fazemos um só com Deus, em comunhão de amor”. Vê-se logo, portanto, que não se trata de causar sofrimento contra si mesmo nem despojar-se de qualquer coisa a não ser por amor; não se trata mais de comprar a boa vontade divina por algum mérito qualquer; nem tampouco de pagar um preço pelos nossos pecados. Tudo isto já nos foi dado e é por isso que o único sacrifício é a ação de graças.

Não é este o sacramento central da vida cristã? O sinal maior pelo qual significamos para nós e para os outros a obra de Deus entre nós? A Eucaristia, quer dizer, a Ação de Graças? Se tudo para nós se recapitula neste reconhecimento, se este reconhecimento, este agradecimento é a nossa atitude normal e constante para com Deus, se é este o conteúdo privilegiado de nossa oração, é porque é a expressão maior de um duplo movimento que exprime toda a nossa relação para com Deus: o nosso desejo por Ele e o dom de Si Próprio que Ele nos faz.

Maria e Isabel

O que encontramos no evangelho de hoje? Este jorrar de reconhecimento brotado desde o ventre de Isabel e a explosão do reconhecimento de Maria. Uma dupla ação de graças. É este o autêntico sacrifício. É duplo. Era preciso que se alegrassem juntas a mãe do Senhor e a mãe do servidor. A esta passagem do evangelho chamamos “visitação”. Além da visita que faz Maria a Isabel, temos também a visita de Deus. Estas duas mulheres representam a humanidade em seu acolhimento de Deus. Não vamos esquecer que nossa vida, toda a vida, depende deste acolhimento. Exatamente por isso, o nascimento é a razão da ação de graças destas duas mulheres.

Por que das mulheres? Temos também, com certeza, a ação de graças de Zacarias, o pai de João Batista; mas a mulher, nesta cultura, é o símbolo da abertura e do acolhimento. E, também, da vida: “Eva” significa “mãe dos viventes”. A gratidão das duas mulheres representa o reconhecimento de todos os que, desde o início da Bíblia, viveram a história da vinda de Deus aos homens: o texto da visitação é um tecido de referências ao Antigo Testamento, sobretudo o Magnificat (ausente de nossa leitura). O “sim” de Maria no “cumprimento das palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor” nos faz repensar a passagem já citada do Salmo 40, retomada na segunda leitura: “Eu vim para fazer a tua vontade.”

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