''Circulavam boatos no conclave: Bergoglio não tem um pulmão. E fui eu que lhe perguntei a verdade''

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24 Janeiro 2018

Nestes dias, está chegando às livrarias italianas o livro Tutti gli uomini di Francesco. I nuovi cardinali si raccontano [Todos os homens de Francisco. Os novos cardeais contam a si mesmos], de Fabio Marchese Ragona (Ed. San Paolo).

O prefácio foi escrito pelo cardeal hondurenho Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa, Honduras, e coordenador do Conselho dos Cardeais, o C9 do Papa Francisco.

(Foto: Divulgação)

O jornal La Repubblica, 21-01-2018, publicou um trecho do prefácio de Maradiaga. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Em fevereiro de 2001, quando São João Paulo II impôs o barrete cardinalício a 44 novos cardeais (...) ele fez uma homilia memorável (...).

“O serviço de vocês à Igreja”, disse o papa polonês, “se expressa em prestar ao sucessor de Pedro a assistência e colaboração de vocês para aliviar a sua fadiga de um ministério que se estende até os confins da Terra. Junto com ele, vocês devem ser estrênuos defensores da verdade e guardiões do patrimônio da fé e dos costumes que tem a sua origem no Evangelho (...)”.

Pois bem, essas palavras (...) permaneceram impressas nos nossos corações e também no do nosso Papa Francisco, que, nos seus anos como arcebispo de Buenos Aires, ontem, e como papa, hoje, está pondo em prática aquilo que lhe havia sido pedido no momento em que se tornava, primeiro, sacerdote, depois, arcebispo e cardeal.

À distância de tantos anos, as Congregações Gerais que precederam o conclave de 2013 foram vividas por nós, cardeais, chamados a eleger o novo papa, com esse espírito (...) de serviço à Igreja universal (...).

O discurso do arcebispo de Buenos Aires nos surpreendeu: o cardeal Bergoglio se apresentava humildemente, quase se desculpando por ter tomado a palavra, mas fazendo perguntas que estavam no coração de muitos outros purpurados e que, até então, ainda não tinham sido abordadas.

Ele nos falou da alegria de evangelizar, da necessidade de sair e de ir às periferias “não só geográficas, mas também existenciais”, advertindo que, “quando a Igreja não sai para evangelizar, torna-se autorreferencial e adoece” de narcisismo teológico, crendo involuntariamente que tem uma luz própria.

Bergoglio falou da Igreja mundana, que vive em si e por si mesma, deixando claro que “essa análise deveria esclarecer as possíveis mudanças e reformas que devem ser feitas para a salvação das almas”.

Lembro-me de que, antes de concluir o seu breve discurso, o arcebispo de Buenos Aires definiu o perfil do futuro papa dizendo: “Pensando no próximo papa, precisa-se de um homem que, a partir da contemplação e da adoração de Jesus Cristo, ajude a Igreja a sair de si mesma rumo à periferia existencial da humanidade, de modo a ser mãe fecunda da ‘doce e reconfortante alegria de evangelizar’”.

E foi naqueles dias que falamos da necessidade de tornar o Vaticano e a Igreja ainda mais colegiais e universais, de como enfrentar a chaga das perseguições dos cristãos no mundo, das intervenções no IOR, da reforma da Cúria Romana e de muitas outras coisas (entre maçonaria, lobbies e Vatileaks).

Certamente, não posso dizer o que aconteceu dentro da Capela Sistina durante o conclave, mas posso contar uma coisa: quando começou a se delinear a figura do arcebispo de Buenos Aires como possível novo pontífice, as famosas corjas clericais, das quais Francisco fala tanto hoje, começaram a se mover para impedir o desígnio de Deus que estava prestes a se realizar.

Alguns (...) até fizeram circular o boato em Santa Marta que Bergoglio estava doente, que não tinha um pulmão. (...) Eu falei com outros cardeais e disse: “Tudo bem, eu vou perguntar ao arcebispo de Buenos Aires se as coisas são realmente assim, se ele realmente está doente”.

Então, fui encontrá-lo: pedi desculpas pela pergunta que estava prestes a fazer, mas o cardeal Bergoglio, muito surpreso com a questão, me confirmou que, além de um pouco de ciática e de uma pequena operação no pulmão esquerdo para a remoção de um cisto quando era jovem, ele não tinha graves problemas de saúde.

Foi um verdadeiro alívio: o Espírito Santo, apesar dos obstáculos das corjas, estava soprando sobre a pessoa certa! E, para mim, foi uma grande emoção vê-lo vestido de branco, naquela noite de 13 de março de 2013.

Desde aquele dia, tudo mudou, e hoje com Francisco (...) está mudando também a conformação do Colégio Cardinalício (...) que se abriu ainda mais ao mundo: os famosos confins da terra de que falava João Paulo II na sua homilia do nosso consistório de 2001.

As Ilhas Tonga, Myanmar, a Ilha de Cabo Verde, Bangladesh, a República Centro-Africana, o Panamá, El Salvador, a Síria (com a clamorosa escolha de criar cardeal o núncio apostólico em serviço naquela terra martirizada): eis as periferias do planeta que até hoje nunca tiveram um cardeal e que o Papa Francisco quis “premiar” com a púrpura. Para que a Igreja saia de si mesma e alcance esses lugares remotos do planeta. (...)

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