Há 50 anos eu me tornava padre. Eis como a percepção do sacerdócio mudou

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06 Outubro 2017

Em 1954, Robert Collins e eu, com outros 51, entrávamos para o antigo seminário jesuíta de St. Andrew sobre o Hudson, uma casa de disciplina enorme, em formato de E, com vistas para o rio. A cultura da época havia sido capturada no então recém-produzido filme vocacional: “The Long Black Line”, que retratou jovens em batinas pretas marchando em fila única. O filme foi dirigido por um jesuíta com formação em Pyongyang.

O depoimento é de Roger Haight, padre jesuíta e teólogo, publicado por America, 03-10-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Bob estudou na Shrub Oak, antiga escola jesuíta de filosofia, e lecionava em um colégio secundarista de Nova York; eu fiz o mesmo em Cebu e Davao, nas Filipinas. Nos encontramos de novo no Woodstock College, nos bosques de Maryland. Éramos ainda uma turma grande quando a maioria de se ordenou na Fordham University em 1967, e há alguns ainda deixados em vários estágios de decrepitude.

Acho que nós dois nos encontramos, 50 anos depois de existência sacerdotal, em nossas funções favoritas conforme medido pela extensão do compromisso com elas: Bob como editor de publicação da revista America e catequista experiente do Rito de Iniciação Cristã para Adultos, e eu como professor de teologia. Aqui, aparecemos em extremos diferentes em busca de um significado virtuoso: Bob deveria escrever mais sobre as suas técnicas para introduzir as pessoas ao cristianismo, e eu deveria provavelmente escrever menos.

Nós dois tivemos o privilégio de viver os anos de uma mudança epocal na imagem que se tem de um padre na América do Norte. Já que estamos celebrando 50 anos de ministério sacerdotal, pensei que deveria correr o risco de comentar sobre como eu, pelo menos, vivenciei as mudanças na percepção do que é ser um padre. Irei propor uma tese a partir da minha experiência à qual outros podem reagir com base em suas próprias experiências. Falo mais sobre o sacerdócio jesuíta do que sobre o sacerdócio diocesano.

Penso que o sacerdócio na cultura estadunidense se tornou menos uma condição ontológica mediada por um sacramento e mais um jeito prático e funcional de liderança e representação eclesial. As razões principais para esta mudança são sociais e culturais; ela ocorreu não tanto com a aparência de uma opção que poderíamos escolher. E não é necessariamente um desenvolvimento (um desdobramento) ruim. Interpreto a comparação de um “antes” e um “depois” como positiva.

O “antes” está vívido em minha imaginação. O sacerdócio com o qual cresci me atraía. Todos de minha idade sabem disso; os jovens jesuítas podem somente saber a respeito. O sacerdócio tinha um apoio social enorme da cultura católica e teologia sacramental; fotos de padres à parte em vestimentas e segurando espécies eucarísticas dramatizam-no.

Por contraste, os padres jesuítas foram pioneiros no “depois” – na época de um sacerdócio funcional. A maioria de nós está atrelado a responsabilidades profissionais que são seculares em sua natureza. Todos começamos a trabalhar nas segundas-feiras, às 8h. O Pe. Collins é um editor; o Pe. Haight é também o doutor ou o professor Haight. O celibato sacerdotal costumava suportar um testemunho escatológico: o nosso verdadeiro lar é no céu. O sacerdócio funcional dá um testemunho incarnacional ao valor da existência humana e o caráter sagrado do serviço a ela.

Eu celebro este desenvolvimento, mas não porque o passado era ruim, e o presente, bom. Estas são questões culturais e de interpretação. Deleito-me, porém, neste sacerdócio funcional, pois ele permite que Bob e eu estejamos no lugar certo no todo daquilo que fizemos e ainda estamos fazendo. Graças a Deus

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