As 4.150 ogivas nucleares ainda operacionais no mundo

Foto: Daniel Jollvet /Flickr

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18 Agosto 2017

Kim Jong-un por enquanto adiou o ataque à ilha de Guam, no Pacífico ocidental, Território dos Estados Unidos. A escalada de ameaças entre Pyongyang e Washington nas últimas semanas, no entanto, fez reviver uma ameaça que há muito tempo pesa sobre o mundo, mas que nos últimos vinte anos havia saído do centro dos debates. A de uma guerra nuclear. Para evitar considerá-la um mero videogame ou mais um bate-papo das mídias sociais, talvez seja o momento de verificar a situação real.

A reportagem é de Danilo Taino, publicada por Corriere della Sera, 17-08-2017. A tradução é de Luísa Rabolini

O Instituto de Pesquisa da Paz Internacional de Estocolmo (SIPRI) estima que (dados do início de 2017) no mundo existam 14.935 armas nucleares, uma redução em relação às 15.395 do ano anterior. Destas, cerca de sete mil são russas e 6.800 americanas. Operacionais – ou seja, implantadas em mísseis ou em bases com mecanismos de lançamento - são 1.950 de Moscou e 1.800 de Washington.

As demais ogivas são mantidas na reserva ou à espera de serem desmanteladas. Os únicos outros dois países que mantêm oficialmente um arsenal nuclear operacional, ou seja, que pode ser mobilizado no curtíssimo prazo, são a França e o Reino Unido.

De um arsenal de 300 bombas, Paris mantém 280 prontas e operacionais. Londres, 120 de 215.

Os outros países que possuem arsenais nucleares têm bombas operacionais, mas não o declaram: o SIPRI estima que no mundo o total de ogivas operacionais, ou seja, não como reserva, seja de 4.150.

No total, a China tem 270 ogivas, o Paquistão entre 130 e 140, a Índia 120 a 130, Israel 80, a Coreia do Norte 10 a 20. A redução das armas nucleares em curso ocorre principalmente na Rússia e nos Estados Unidos, com base no acordo New Start, assinado em 2011.

No entanto, prossegue lentamente. Principalmente Moscou e Washington, mas também os outros países interessados estão desenvolvendo programas de modernização dos arsenais e da capacidade de lançamento. A esse respeito, os EUA lançaram durante a administração Obama, um programa de US $ 400 bilhões para investir entre 2017 e 2026.

A China (ressalta o SIPRI) está realizando melhorias qualitativas. O mesmo vale para o Paquistão e a Índia, juntamente com a modernização das capacidades balísticas.

O teste de lançamento de mísseis por parte da Coreia do Norte ocupa as manchetes das últimas semanas. "Programas de modernização de longo prazo estão em andamento em todos os nove Países com armas nucleares", declara Shannon Kile, responsável do SIPRI pelo programa das armas atômicas.

Desde os tempos da Guerra Fria é do conhecimento geral que a presença de ogivas nucleares nos arsenais não significa que uma guerra de destruição em massa esteja próxima. Os números, porém, lembram que o perigo não é virtual.

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