Porto Alegre. Carroceiros vão à Prefeitura pedir adiamento de prazo e fim da criminalização

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23 Setembro 2016

A circulação de carroças puxadas por cavalos já está totalmente proibida em Porto Alegre, a partir da conclusão do prazo estabelecido na Lei Municipal 10.531/2008, desde o último dia 11. Ao contrário dos carrinheiros, que catam materiais recicláveis em veículos de tração humana, os trabalhadores que utilizam veículos de tração animal não tiveram o prazo estendido para saírem das ruas. Eles alegam, porém, que a Prefeitura não terminou de capacitar e dar novas oportunidades para a categoria e, mesmo sem incluir a todos, está abordando e perseguindo os carroceiros nas ruas. Nesta quinta-feira (22), Dia Nacional de Paralisações, eles fizeram uma “carroceata” desde a Vila Nazaré até o Paço Municipal para exigir diálogo com o poder Executivo.

A reportagem é de Débora Fogliatto, publicada por Sul21, 22-09-2016.

Apoiados por militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), eles se reuniram com a Secretaria Municipal de Governança para pedir um adiamento do prazo para carroceiros e o fim da criminalização da profissão enquanto os trabalhadores não estiverem incluídos no Programa Todos Somos Porto Alegre. Alguns deles, porém, admitem que não gostariam de realizar os cursos profissionalizantes, considerando que não valeria a pena abrir mão do seu “ganha pão” por algo incerto.

Clóvis Conceição, por outro lado, conta que não tem condições de aprender outro ofício, porque, aos 56 anos, tendo trabalhado a vida toda como carroceiro, ele tem uma doença que o faz “tremer todo”. “Como é que eu vou aprender outra coisa? Trabalhar com as mãos, ser contratado por uma empresa? É meu cavalo que me dá o pão, não adianta”, relata ele, que é morador da Vila Dique.

Um dos líderes do movimento de carroceiros, Vavá reclama que a Prefeitura nunca valorizou o trabalho de coleta de lixo realizado por eles. “Querem tirar o pão dos carroceiros e carrinheiros. Eles nunca nos ajudaram em nada, nem deram nada pros nossos cavalos”, afirma, completando que nem todos foram contemplados pelo programa. Há alguns dias, o carroceiro Gilberto e seu filho foram abordados pela Polícia Militar, que os cercou com dez viaturas, segundo seu relato, e confiscou os cavalos deles. “Eles levaram os cavalos pro Lami e tivemos que buscar e pagar a diária e o transporte deles de volta”, relata.

Os carroceiros entendem que a questão é polêmica, visto que trata também dos direitos dos animais, mas, segundo Jorge, isso poderia ser resolvido com fiscalização. “Se fosse fiscalizado, poderia ter leis para não deixar os cavalos mal-tratados. A gente só quer o direito de permanecer com as nossas carroças, queremos melhorar a cidade, e não que tirem nosso sustento”, apontou. “Eles estão confiscando os cavalos sem oferecer alternativas”, resumiu Cláudia Favaro, do MTST.

Após a reunião com a Prefeitura, os carroceiros permaneceram no Paço Municipal, onde comeram um almoço comunitário, e devem aguardar no local até uma resposta do poder público sobre as reivindicações feitas.

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