11º domingo do tempo comum - Ano A - O olhar compassivo de Jesus

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Por: MpvM | 12 Junho 2020

"Neste domingo a liturgia da Palavra nos convida a refletir sobre o amor compassivo de Jesus e a compaixão que deve impulsionar a vida e a prática de quem o segue.

"Jesus conhece de perto, em profundidade, a realidade de seu povo, as situações de miséria, dor, sofrimento, injustiças, exclusão, violência. Ele olha, vê a realidade de seu povo e se deixa afetar por ela, fica indignado, se comove e, movido de compaixão, age.

"Vemos no Evangelho que Jesus impulsionou um movimento que se caracteriza e deve se caracterizar pela compaixão, pelo amor, pela gratuidade. Com essas características, a dinâmica do chamado e envio de quem segue Jesus gera o compromisso e engajamento em favor da Vida, numa atitude de compaixão que leva ao coração da realidade, se deixa sensibilizar pela situação concreta das pessoas e ali busca traduzir em gestos concretos o amor compassivo e misericordioso de Deus.

A reflexão é de Cleusa Maria Andreatta, idp, religiosa da Congregação das Irmãs da Divina Providência, teóloga, integrante da Equipe de Coordenação do Instituto Humanitas Unisinos.

 

 

Leituras do Dia
1ª Leitura - Ex 19,2-6a
Salmo - Sl 99,2.3.5 (R.3c)
2ª Leitura - Rm 5,6-11
Evangelho - Mt 9,36-10,8

Passado o intenso tempo litúrgico pascal que culminou com a Festa de Pentecostes, seguida da Solenidade da Santíssima Trindade, retomamos na liturgia a celebração do “tempo comum”, que nos convida a cultivar a fé e a espiritualidade à luz da Palavra de Deus, em meio à cotidianidade de nossa vida.

Assim, ao acolher a liturgia da Palavra neste 11º domingo do tempo comum podemos assumir uma atitude de abertura para acolher o que Deus quer nos dizer através de sua palavra em meio à situação concreta que estamos vivendo. Também podemos nos perguntar que impulsos e luzes o momento que vivemos oferece para nos ajudar a compreender e contemplar a Palavra de Deus que chega a nós.

A pandemia da Covid-19 continua mexendo com todas as dimensões da nossa vida: trabalhos, relacionamentos, tempo livre e lazer, vida comunitária, eclesial. E com isto se cria um contexto que nos interpela ao cultivo de um olhar de fé e de uma espiritualidade que nos sustente diariamente num seguimento de Jesus que se enraíze naquilo que ele nos ensinou com sua palavra e seus gestos.

E neste domingo a liturgia da Palavra nos convida a refletir sobre o amor compassivo de Jesus e a compaixão que deve impulsionar a vida e a prática de quem o segue. Esta reflexão que é impulsionada pelo evangelho é respaldada pelas duas leituras. A primeira leitura (Ex 19,2-6a) apresenta-nos o Deus da “aliança”, que elege um Povo com o qual estabelece laços de comunhão e de proximidade, ao confia uma missão sacerdotal, que é ser um sinal de Deus no meio das outras nações. A segunda leitura (Rm 5,6-11) nos coloca diante de uma comunidade dos discípulos é que se reconhece fundamentalmente uma comunidade de pessoas às quais Deus ama. Com base nesta certeza do amor de Deus, sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelas pessoas – um amor eterno, gratuito e absolutamente único.

O texto do evangelho deste domingo é do Evangelho de Mateus (Mt 9,3–10,8) e nos situa na passagem da sessão narrativa do ministério de Jesus na Galileia (Mateus 8 e 9) para o discurso missionário (Mt 10).

Nesta passagem Mateus nos apresenta Jesus profundamente sensibilizado pela situação de sofrimento e abandono das multidões: “Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor.” (v. 36). E também nos mostra Jesus comprometido em oferecer ajuda, engajado na transformação dessa realidade, envolvendo e dialogando com seus discípulos sobre a situação: a messe é garante, os trabalhadores são poucos, convite a oração: “Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” (v.38)

Assim, o olhar de compaixão de Jesus nos guia, provoca e convoca na meditação dessa passagem do evangelho proposta para o dia de hoje.

No versículo anterior a passagem que estamos refletindo, Mateus nos recorda que em seu ministério "Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade". Conforme o Evangelho, Jesus conhece de perto, em profundidade, a realidade de seu povo, as situações de miséria, dor, sofrimento, injustiças, exclusão, violência. Ele olha, vê a realidade de seu povo e se deixa afetar por ela, fica indignado, se comove e, movido de compaixão, age. Assim, Ele revela em seu olhar e agir compassivo um rosto de Deus que encontramos em Êxodo 3, 7-9: "Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos. E desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir do Egito para uma terra fértil e espaçosa, uma terra que mana leite e mel".

Em sua compaixão diante da difícil realidade das multidões, Jesus também reforça sua profunda confiança no Pai e convida seus discípulos a fazer o mesmo: “Pedi ao dono da messe que envie trabalhadores...”.

Mas o Evangelho de Mateus nos mostra que não basta apenas esperar de Deus Pai a reposta para a realidade de sofrimento e abandono: é necessário também o engajamento da comunidade. Nesta perspectiva se situa a introdução do discurso missionário (Mt 10, 1-9), em que os discípulos são constituídos como apóstolos e recebem o poder e são enviados para fazer o mesmo que Jesus. A passagem culmina com uma convocação a tudo realizar na lógica do amor e da gratuidade: De graça recebestes, de graça deveis dar!

Enfim, vemos no Evangelho que Jesus impulsionou um movimento que se caracteriza e deve se caracterizar pela compaixão, pelo amor, pela gratuidade. Com essas características, a dinâmica do chamado e envio de quem segue Jesus gera o compromisso e engajamento em favor da Vida, numa atitude de compaixão que leva ao coração da realidade, se deixa sensibilizar pela situação concreta das pessoas e ali busca traduzir em gestos concretos o amor compassivo e misericordioso de Deus.

Concluindo nossa reflexão, acolhamos as palavras de encorajamento do Papa Francisco na Exortação Apostálica Gaudete et Exsutate: “Olhemos para Jesus! A sua entranhada compaixão não era algo que O ensimesmava, não era uma compaixão paralisadora, tímida ou envergonhada, como sucede muitas vezes conosco. Era exatamente o contrário: era uma compaixão que o impelia fortemente a sair de Si mesmo a fim de anunciar, mandar em missão, enviar a curar e libertar. Reconheçamos a nossa fragilidade, mas deixemos que Jesus a tome nas suas mãos e nos lance para a missão. Somos frágeis, mas portadores dum tesouro que nos faz grandes e pode tornar melhores e mais felizes aqueles que o recebem.. (nº 131)

 

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