Prisão de líder anticorrupção causa indignação em meio a festas da independência na Índia

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17 Agosto 2011

A detenção de um conhecido ativista anticorrupção, poucas horas antes que ele iniciasse uma greve de fome em público, empanou nesta terça os festejos de comemoração dos 64 anos da independência da Índia. Anna Hazare, 74 anos, se opõe a um projeto de lei anticorrupção que descarta a possibilidade de investigar altos funcionários do governo, como magistrados, ministros ou o próprio chefe do governo. Foi libertado horas depois.

A reportagem é de Ana Gabriela Rojas, publicada pelo jornal El País e reproduzida pelo Portal Uol, 18-08-2011.

Junto com Hazare, seguidor da resistência passiva de Gandhi, que já protagonizou outro jejum público em abril, foram detidos 1.300 de seus seguidores para evitar que apoiassem o protesto. Depois da batida eclodiram manifestações espontâneas em Mumbai, Calcutá, Chennai (antiga Madrás) e Bangalore.

A corrupção é endêmica na Índia e um obstáculo considerável para o crescimento econômico do país - afetado por uma inflação próxima de 9% -, como reconheceu na segunda-feira, em plena comemoração da independência no Forte Vermelho de Nova Déli, o primeiro-ministro Manmohan Singh. "O mundo reconhece nosso potencial de ser um dos poderes econômicos mundiais. Mas o problema da corrupção é um grande obstáculo nessa transformação", disse. No entanto, Singh reconheceu que "não há uma varinha mágica" para acabar com ela.

A proliferação de casos de suborno e desvio de verbas levou às ruas um número crescente de cidadãos e de organizações da sociedade civil, instigados pelos jejuns anteriores de Hazare, que denomina sua luta "a segunda guerra de libertação". O mais sonoro dos escândalos foi em 2008 a distribuição fraudulenta de licenças de telefonia móvel, o que, segundo a auditoria geral, pode ter custado ao erário público US$ 40 bilhões (cerca de 28 bilhões de euros).

A isso somam-se as irregularidades na organização dos jogos da Comunidade Britânica em 2010, assim como anomalias na gestão da indústria mineira pelas quais os governadores de dois estados tiveram que se demitir. A credibilidade da classe política baixou muitos pontos, como demonstra uma recente pesquisa, segundo a qual 60% dos indianos acreditam que seu país é corrupto.

O Parlamento está debatendo uma proposta de lei anticorrupção amplamente rejeitada pela sociedade civil. O governo deslegitima a luta do septuagenário Hazare, afirmando que sua fundação está tomada pela corrupção e que "não se deve recorrer a greves de fome que causem a morte". Segundo Singh, subordinar os magistrados a um ombudsman anticorrupção "iria contra a independência do sistema judiciário".