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02 Outubro 2012

"Assim como na Católica – isto é, na Igreja – pode-se encontrar o que não é católico, assim também fora da Católica pode haver algo de católico" (Agostinho, Sobre o batismo contra os donatistas: PL 43, VII, 39, 77). Por isso, os membros da Igreja não devem sentir ciúmes, mas se alegrar se alguém externo à comunidade faz o bem em nome de Cristo, contanto que o faça com reta intenção e com respeito. Mesmo dentro da própria Igreja pode acontecer, às vezes, que se custe a valorizar e a apreciar, em um espírito de profunda comunhão, as coisas boas realizadas pelas várias realidades eclesiais. Em vez disso, todos devemos ser capazes de nos apreciar e estimar reciprocamente, louvando o Senhor pela infinita 'fantasia' com a qual ele age na Igreja e no mundo."

Essas palavras de Bento XVI, pronunciadas durante o Ângelus desse domingo, pertencem àquela parte do seu magistério que muitos de seus laudatores mais entusiastas parecem esquecer. São os intransigentes da identidade e do exclusivismo. Não querem admitir que o Espírito está presente fora das fronteiras eclesiais, gostariam de cercá-lo, de reconduzi-lo à sua própria medida.

A opinião é do cientista político e leigo católico italiano Christian Albini, em nota publicada no blog Sperare per Tutti, 01-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se palavras desse tipo, que, de fato, são uma paráfrase do Evangelho desse domingo, são ditas pelo papa, no máximo são ignoradas. Se, ao contrário, são ditas por outros, acusa-se-lhes de querer se comprometer com o "mundo" e de relativismo.

Isso aconteceu e acontece com muitos expoentes de um catolicismo mais aberto e dialogante.