Líder de experimento defende mulheres na Ciência

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09 Julho 2012

Por trás do que seria a maior descoberta da física em décadas não está um cientista barbudo e introvertido, mas sim uma mulher que insiste em reforçar a ideia de que, perante a ciência, todos são iguais. Fabiola Gianotti é a líder do experimento Atlas, que detectou no Cern os sinais claros de uma nova partícula que poderia ser o bóson de Higgs. Fabiola não é apenas a encarregada pelo trabalho que custou US$ 8 bilhões, mas um espelho da nova geração de cientistas e um golpe contra a ideia de que a ciência só é feita por homens.

A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 08-07-2012.

Ela tinha 2 anos quando o britânico Peter Higgs formulou a teoria que explicaria pelo menos parte do universo. Hoje, a italiana de 49 anos está diante do experimento que reúne 3 mil físicos de 169 instituições em 37 países. Ao Estado, Fabiola faz um apelo: "Garotas, estudem ciências. Somos ótimas nisso".

A italiana não chegou à posição por acaso. Há 13 anos atuava como coordenadora de Física do Atlas. Tem um doutorado em Física subnuclear pela Universidade de Milão e com apenas 25 anos começou a trabalhar no Cern. Para liderar o projeto que na quarta-feira promoveu uma pequena revolução, Fabiola foi democraticamente eleita pelos colegas cientistas.

Sua imagem seria tão forte para revelar uma nova direção quanto o anúncio da descoberta. Enquanto os demais cientistas usavam terno e gravata, nem sempre do melhor gosto ou combinando, Fabiola apareceu diante das câmeras de todo o mundo de camiseta. Não se intimida diante de grandes públicos, mistura ciências e piadas em sua apresentação e esbanja entusiasmo com os detalhes de suas descobertas.

Pianista

Mas nem sempre a família a direcionou para as ciências. No ensino médio, Fabiola, como muitas meninas na Itália, foi para um colégio que privilegiava as ciências humanas e artes. Virou pianista, com título reconhecido pelo prestigioso Conservatório de Milão. Mas foi sua paixão pela natureza que a fez mergulhar no campo da Física. Ela conta como queria entender o que estava ao seu redor. "Era mesmo uma paixão para mim."

No Cern, apenas 30% dos cientistas são mulheres. Há 20 anos, esse número não chegava a 15%. Para Fabiola, não há motivos para pensar que meninas têm mais aptidão para trabalhos sociais. "Na realidade, mesmo se olharmos por esse prisma, a ciência é um grande trabalho social", argumenta. "O que descobrimos no Cern pode levar à cura de doenças e à redução do sofrimento humano que nenhum trabalho conseguiria realizar", defende.

Sobre o fato de a maior descoberta da Física em anos ter um rosto feminino, Fabiola não esconde o orgulho. "Espero que isso mande um recado claro a todas as meninas no mundo, de que somos capazes de ser cientistas e não há nada que possa nos impedir. Os tabus precisam acabar e não há nada na ciência que indique que mulheres têm aptidões mais fortes por ciências humanas e não matemática."

Ela recusa o argumento de que mulheres teriam uma visão sobre a ciência que seria diferente do homem. "Isso não existe. Somos todos iguais perante a ciência", declarou. "Fomos convencidas de que nosso lugar era outro. Isso acabou."

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