A França concede o Prêmio Legião de Honra ao poeta nicaraguense Ernesto Cardenal

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Por: André | 02 Outubro 2013

O governo da França, através da sua Embaixada na Nicarágua, impôs a ordem Legião de Honra como grau de Oficial ao poeta e sacerdote trapista Ernesto Cardenal. A ordem foi entregue pelo embaixador francês em Manágua, Antoine Joly, que ofereceu uma recepção em sua residência ao Cardenal, de 88 anos e considerado atualmente como um dos poetas vivos mais importantes da América Latina.

 
Fonte: http://bit.ly/1bsVcZ6  

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 01-10-2013. A tradução é de André Langer.

Em seu discurso, o diplomata explicou que a França decidiu outorgar a ordem Legião de Honra a Cardenal porque estava “sempre fascinada pelos poetas e pelos escritores atores de revoluções”, que também decidiram em um dado momento de suas vidas cumprir com seus compromissos políticos concretos.

Cardenal (Granada, Nicarágua, 1925), poeta, sacerdote católico defensor da Teologia da Libertação e político, foi ministro da Cultura durante a Junta de Governo da Nicarágua entre 1979 e 1988, embora agora esteja bem distanciado da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), no governo.

Cardenal, que agradeceu a condecoração, chegou vestido, como de costume, com sua longa camisa branca de algodão, de confecção tradicional, boina preta e sandálias de couro.

Enquanto era ministro da Cultura, Ernesto Cardenal foi repreendido publicamente pelo Papa João Paulo II, ao visitar a Nicarágua (março de 1983), por misturar a religião com a revolução sandinista.

Dentre as suas obras poéticas, que foram publicadas em 20 idiomas e em mais de 200 edições, destacam-se: A cidade desabitada, Hora Zero, Getsemany KY, Salmos, Oração por Marilyn Monroe e outros poemas, O estreito duvidoso, Vida no amor, Homenagem aos índios americanos, Cristianismo e Revolução, A santidade na revolução e Em Cuba.

Participaram da condecoração do octogenário vate, que foi indicado pela Sociedade Geral de Autores e Editores (SGAE) ao prêmio Nobel de Literatura 2010, o escritor e ex-vice-presidente Sergio Ramírez, a poetisa e escritora Gioconda Belli e outros intelectuais nicaraguenses.