Doente de trabalhar, papa cancelou compromissos na semana passada

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26 Junho 2014

No fim, o Papa Francisco teve que se render. Nada de procissão de Corpus Christi a pé, à frente da multidão dos fiéis. Relutantemente, o pontífice foi forçado a usar um carro para chegar até a basílica de Santa Maria Maior, depois de celebrar a missa no átrio da igreja de São João.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 20-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É preciso distinguir entre o alimento espiritual verdadeiro – disse ele durante a homilia – e o "pão falso que corrompe por ser fruto do egoísmo, da autossuficiência e do pecado". "O papa considerou oportuno renunciar ao longo itinerário a pé entre as duas basílicas – explicou o porta-voz vaticano, padre Federico Lombardi – também em vista da viagem a Cassano, na Calábria, em apenas dois dias".

Já se sabia antes da viagem à Calábria. O cancelamento repentino pode ser explicado por um forte esgotamento do pontífice, que simplesmente não conseguiria fazer o trajeto a pé. Francisco notoriamente tem uma dificuldade de deslocamento, agravada por frequentes ataques no ciático. Além disso, o pontífice está sujeito a bronquite, e o uso prolongado de remédios o deixa cansado.

Mas o verdadeiro "mal" de que Bergoglio sofre é a sua recusa a se conceder repouso e a obstinada vontade de trabalhar ao extremo. Bergoglio é aquilo que nos Estados Unidos se chama de "workaholic", um personagem dependente do trabalho que não consegue se desconectar para recarregar o lado físico.

Em Buenos Aires, as pessoas ainda se lembram de um pequeno "conselho de guerra" dos vigários da diocese, que, ao término de um ano de trabalho intenso, começaram a insistir com o já septuagenário cardeal Bergoglio para que ele tirasse um período de férias na residência de verão dos arcebispos. Bergoglio os deixou falar por meia hora e depois irrompeu: "E agora vão todos um pouco para o inferno". Em termos de gírias ainda mais coloridas (asseguram aqueles que o conhecem na Argentina).

Mas a sua obstinação – defendem os amigos que ele tem na Cúria, preocupados com o risco do seu desgaste físico – não lhe faz bem. Os seus antecessores tinham, cada um à sua maneira, uma receita pessoal para retomar as forças ou ao menos para mantê-las. O Papa Ratzinger, com precisão teutônica, todos os dias, fazia uma caminhada de ao menos 45 min nos jardins vaticanos: quer chovesse ou brilhasse o sol, Bento XVI, na companhia do fiel secretário Gänswein, não renunciava a fazer o seu passeio.

Wojtyla era célebre pelas suas fugas do Vaticano para se refugiar em Abruzzo ou na região de Piglio (no Lácio). Talvez para esquiadas clandestinas na companhia do presidente da República, Sandro Pertini. No verão, além disso, ele tinha o seu compromisso fixo com as caminhadas no Val d'Aosta ou em Cadore.

Bergoglio zero de zero. O único alívio foi o de decidir cancelar as audiências gerais em julho e de suspender nos dois meses de julho e de agosto as missas matinais na residência do Santa Marta. Muito pouco. Até porque a aparente diminuição dos compromissos públicos se transforma (assim aconteceu no ano passado) em um empenho aumentado dedicado ao estudo dos dossiês mais candentes.

À parte da viagem de sábado passado para Cassano Jonico e a da Coreia em meados de agosto, ele tem sobre a mesa três grandes "fascículos", sobre os quais Francisco deve se concentrar. Há a reforma do IOR, que de "banco" deve ser reorganizado profundamente e projetado para ajudar as entidades religiosas de caridade no serviço de administração do patrimônio e de transferência do dinheiro para apoiar as iniciativas de ajuda ao exterior.

Há a reforma da Cúria, que ainda parece em alto-mar. Porque não se trata apenas de reunir eventualmente uma série de organismos, mas também de possivelmente mudar a sua orientação de fundo de "comando geral" da Igreja Católica (como é agora) a instrumento de serviço tanto do pontífice quanto dos episcopados mundiais. Objetivo mais fácil de dizer do que de realizar.

Finalmente, há o encontro decisivo do Sínodo de outubro: o "parlamento" internacional de bispos chamado a examinar e a discutir todo o conjunto das questões familiares e interpessoais. Da comunhão aos divorciados em segunda união aos vínculos homossexuais, dos casais de fato aos anticoncepcionais, do aborto à dissolução dos matrimônios. Um evento que levanta enormes expectativas na massa dos fiéis, que já está dividindo profundamente a hierarquia eclesiásticas em relação às soluções pastorais que devem ser dadas e que exigirá do Papa Francisco um esforço nada leve na liderança da assembleia.

Por isso, é imperativo que ele realmente ouça os conselhos de médicos e amigos, que o incentivam a repousar.

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