Amazônia sequestra mais carbono do que emite, afirma NASA

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21 Março 2014

Apesar de parecer óbvio que uma floresta sequestra carbono ao passo que cresce, pesquisas anteriores questionavam se eventos naturais de mortalidade das árvores resultariam, no balanço geral, em uma emissão maior do que a absorção de gases do efeito estufa (GEEs).

A reportagem é de Fabiano Ávila, publicada no sítio CarbonoBrasil, 19-03-2014.

Em um estudo que levou sete anos para ser elaborado, a Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço dos Estados Unidos (NASA) chegou à conclusão que, considerando apenas critérios naturais, a Floresta Amazônica é mesmo um ecossistema absorvedor de carbono.

Apesar de parecer óbvio que uma floresta sequestra carbono ao passo que cresce, pesquisas anteriores questionavam se eventos naturais de mortalidade das árvores resultariam, no balanço geral, em uma emissão maior do que a absorção de gases do efeito estufa (GEEs).

O estudo da NASA desmente esse temor com relação à Amazônia, mas vale ressaltar que não foram levados em conta dados sobre o desmatamento provocado por atividades humanas.

O trabalho, publicado no periódico Nature Communications, é o primeiro a mensurar o ciclo de carbono em toda a Floresta Amazônica, sendo que para conseguir isso foi realizada a contabilização da morte de árvores por causas naturais.

Utilizando técnicas desenvolvidas especificamente para este estudo, foram analisadas imagens de satélite e outros dados para concluir que a morte de árvores na Amazônia libera para a atmosfera 1,9 bilhão de toneladas de carbono por ano, uma quantia que é superada pela absorção da floresta.

“Descobrimos que grandes distúrbios naturais resultam apenas em pequenos efeitos no ciclo do carbono na Amazônia”, afirmou Sassan Saatchi, coautor do estudo.

A ideia para a pesquisa surgiu em 2006, em um workshop no qual cientistas de diversas nacionalidades sugeriram que os satélites da NASA poderiam ser úteis para melhorar o entendimento do ciclo do carbono na Amazônia. Isso porque, sem esse tipo de recurso, a avaliação do carbono florestal era feita em pequenas áreas e então extrapolada para regiões maiores, o que muitos questionavam poder resultar em distorções.

Ao todo 22 pesquisadores de cinco países trabalharam no estudo, observando a morte de árvores na Amazônia por todas as causas naturais possíveis – de grandes derrubadas causadas por tempestades a simples mortes devido à idade.

A EMBRAPA, o INPE e o INPA também contribuíram para a pesquisa.