Prisões, hospitais, refeitórios para os pobres: os lugares santos da Igreja de Francisco

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09 Dezembro 2015

O Papa Francisco quer que o Jubileu da Misericórdia – que começa nesta terça-feira – dê o primeiro lugar aos últimos, privilégios aos pobres de dinheiro e de valores, comece a partir das periferias. Ele pede que seja celebrado nas prisões, nos hospitais, nos refeitórios dos sem-teto. Ele prometeu se comprometer pessoalmente com o cumprimento de "sinais" que o caracterizam como celebração da misericórdia por parte de uma Igreja que interpreta a si mesma como "hospital de campanha".

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 07-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essas intenções foram assim indicadas na Bula de convocação: "Levar uma palavra e um gesto de consolação aos pobres, anunciar a libertação a quantos são prisioneiros das novas escravidões da sociedade contemporânea, devolver a vista a quem já não consegue ver porque vive curvado sobre si mesmo, e restituir dignidade àqueles que dela se viram privados".

Para dar concretude à sua ideia de começar pelos últimos, o gestual de Bergoglio quis abrir a primeira Porta Santa em Bangui, na África mais pobre e ensanguentada, no domingo, 29 de novembro. Pertencia à tradição a ampliação das modalidades de aquisição da indulgência ao resto do mundo, depois de celebrado o Jubileu romano; mas nunca tinha acontecido que um Ano Santo começasse em algum lugar antes que fosse aberta a Porta Santa de São Pedro.

No sinal da precedência aos últimos, deve ser interpretada também a decisão de celebrar, durante o Jubileu, no domingo, 4 de setembro, a canonização da Madre Teresa de Calcutá, "irmã dos abandonados e ícone da Misericórdia". Provavelmente nesse dia teremos a maior multidão de todo o Ano Santo romano, que não prevê grandes eventos no sentido de acontecimentos capazes de atrair "peregrinos". Mas a santa de Calcutá vai atraí-los: para a sua beatificação, em 2003, a Praça de São Pedro foi cercada por uma maré de 300 mil pessoas.

Outro gesto para ir ao encontro dos pobres será feito por Francisco no dia 18 de dezembro, abrindo uma "Porta Santa da caridade" no Albergue da Cáritas romana na Via Marsala: ela convida os peregrinos a "visitar" os pobres assim como visitariam uma basílica. Depois da abertura da porta, o papa visitará o Albergue e o refeitório da Cáritas. Esse gesto de ir ao encontro dos pobres – disse aos jornalistas o arcebispo Fisichella, responsável organizacional do Jubileu – será "o primeiro com que o papa dará início aos sinais que, uma sexta-feira por mês, ele pretende oferecer como expressão das obras de misericórdia".

Não se sabe em que vão consistir, mas terão o caráter de "visitas privadas" (digamos, a famílias, a hospitais, a prisões, a casas que acolhem refugiados) com as quais Francisco "pretende ressaltar as grandes formas de desconforto, de marginalização e de pobreza que estão presentes na sociedade".

Essas visitas serão anunciadas na proximidade ao dia em que serão realizadas e deverão servir de modelo para os bispos, para que realizem outros "gestos" semelhantes. Já se tem notícia, na Itália e pelo mundo, de diretrizes dadas aqui e acolá pelos bispos para inserir entre as iniciativas jubilares algum sinal de atenção aos pobres.

À semelhança da Porta da Caridade desejada pelo papa, que é sem precedentes na história dos jubileus, haverá outras fora de Roma, decididas pelas Igrejas locais em acolhida às indicações papais: nas prisões – em Pádua e em Rieti, por exemplo –, em hospitais e em centros de assistência às pessoas portadoras de deficiência (no Cottolengo de Turim, no Instituto da Sagrada Família de Cesano Boscone, na Comunidade de Montetauro), em casas de acolhida e refeitórios para os sem-teto (em Pisa, em Trento, em Rimini).

Das Filipinas, chega a notícia de que o cardeal Luis Antonio Tagle – um homem semelhante a Bergoglio na "escolha pelos últimos" – vai abrir a Porta Santa no rito que abrirá o Jubileu Extraordinário da Misericórdia em Manila com a ajuda de uma família pobre, de jovens desempregados e de portadores de deficiência. Mas não haverá apenas esse gesto simbólico: como obra jubilar concreta de ajuda aos necessitados, a arquidiocese de Manila vai abrir um fundo para a assistência aos doentes e aos idosos que se encontram em condições de indigência.

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