Papa condena a “exploração do trabalho” na capital têxtil da Itália

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11 Novembro 2015

Durante sua visita à cidade toscana de Prato, capital da indústria têxtil na Itália e símbolo da globalização, o papa Francisco se referiu à morte, em dezembro de 2013, de sete trabalhadores chineses durante o incêndio do galpão industrial no qual viviam e trabalhavam. “É uma tragédia da exploração e das condições de vida desumanas”, disse Jorge Mario Bergoglio. “A vida de cada comunidade exige que sejam combatidos até o final o câncer da corrupção e o veneno da ilegalidade”.

A reportagem é de Pablo Ordaz, publicada por El País, 11-11-2015.

Diante de milhares de pessoas reunidas diante da Catedral, o Papa elogiou o esforço da comunidade de Prato em acolher dezenas de milhares de trabalhadores estrangeiros, principalmente de origem chinesa, que durante os últimos anos se estabeleceram na cidade. “Cada ser humano”, advertiu Bergoglio, “merece respeito, acolhida e um trabalho digno. Minha homenagem aos cinco homens e duas mulheres de cidadania chinesa que morreram por causa de um incêndio na zona industrial de Prato. Viviam e dormiam no mesmo galpão em que trabalhavam, amontoados em um pequeno dormitório construído com papelão, Isso não é trabalho digno!”.

Desde que Bergoglio foi eleito papa, em março de 2013, as suas viagens pela Itália têm tido como objetivo as periferias. As comunidades que, por um motivo ou outro, sofrem as consequências da desigualdade, da crise ou da corrupção. Na ilha de Lampedusa ele clamou contra a globalização da indiferença; em Cerdeña, contra a crise provocada pelo sistema econômico mundial; durante sua viagem à Calábria, condenou o poder da máfia – agigantado pela ausência do Estado – e excomungou a ‘Ndrangheta depois do assassinato, em janeiro de 2014, de um menino de três anos durante um ajuste de contas. Nesta terça-feira, Francisco tinha na agenda comparecer ao 5º Congresso Nacional da Igreja italiana, em Florença, mas decidiu visitar antes a vizinha cidade de Prato para lançar uma mensagem: “Sim à acolhida, não à ilegalidade”.