E Bergoglio disse: "Se eu me tornar papa, vou canonizou Romero"

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03 Novembro 2015

"Era 2007. Eu estava na reunião eclesial de Aparecida. Aproximei-me do cardeal Bergoglio e lhe perguntei: 'Eminência, um dia Óscar Romero será canonizado? O cardeal Alfonso López Trujillo [então presidente do Pontifício Conselho para a Família] me disse que isso nunca vai acontecer...'. Ele respondeu: 'Veja, se eu me tornar papa, a primeira coisa que vou fazer é enviar Lopez Trujillo para San Salvador para canonizar Romero'. Eu lhe disse que rezaria pela sua eleição. Ele sorriu, convencido de que isso nunca iria acontecer."

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 31-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Jesús Delgado Acevedo (foto), vigário-geral de San Salvador e ex-secretário do arcebispo Romero, editor dos seus escritos inéditos (La Chiesa non può stare zitta, Editrice Missionaria Italiana), contatado durante um encontro da Comunidade de Santo Egídio, conta os detalhes daquilo que Francisco definiu nessa sexta-feira como um "martírio" continuado para Romero: "Depois de ter sido assassinado, ele foi difamado e caluniado, até mesmo pelos seus irmãos no sacerdócio e no episcopado". E ainda: "Apedrejado com a pedra mais dura que existe no mundo: a língua".

Eis a entrevista.

Quem odiava Romero?

Grande parte do episcopado do seu país. Eles o acusaram de ter favorecido, com o seu Evangelho pelos últimos e os pobres, a ascensão do comunismo em El Salvador. Acusação ridícula que foi apoiada por bispos e também por monsenhores do Vaticano. Calúnias que espalharam veneno sobre um santo homem: mas isso não é apenas de ontem.

Em que sentido?

Há alguns meses, por ocasião da cerimônia de beatificação, os bispos espanhóis não estavam presentes. Enviaram apenas um representante da Conferência Episcopal. Eles disseram que a beatificação não era uma cerimônia religiosa, mas sim um evento político: a mistificação continua.

Que efeito lhe provocaram as palavras de Francisco?

Primeiro, ele falou como papa, lendo o discurso oficial. Depois, levantou os olhos do texto, e Francisco veio para fora. Usou palavras de verdade, fortes como era justo que fosse.

Romero será canonizado?

Eu acredito que sim. Francisco nunca me disse isso diretamente. Mas deu a entender a um coirmão jesuíta que acompanha a causa de beatificação de Rutilio Grande, morto pelos esquadrões da morte em 1977: se for canonizado, ele terá o prazer de ir diretamente para celebrar. Primeiro, porém, ele disse que deve ser desbloqueada a causa de Rutilio. O papa disse que existe um milagre: "A conversão de Romero operada por Rutilio".

Rutilio converteu Romero?

Romero disse que se converteu dia a dia. Mas também que, quando viu o assassinato de Rutilio, entendeu que devia assumir a sua herança. Rutilio tinha lhe dito que ele devia se consumir pelos agricultores, que não devia agir como catedrático, mesmo sendo bispo. Romero lhe disse que ele tinha um ministério que não podia desatender. Mas quando Rutilio morreu, ele entendeu que o caminho que ele tinha tomado era o caminho certo.

Que consideração os papas tinham sobre Romero?

Paulo VI foi um pai para ele. Sempre o estimou. João Paulo II, no início, parecia não concordar. Mas depois decisivamente mudou de ideia.

Dom Paglia se consumiu desde cedo pela canonização, mesmo em anos difíceis. Roberto Morozzo della Rocca, no livro Oscar Romero. Un vescovo tra guerra fredda e rivoluzione (Ed. San Paolo) fala sobre a causa e conta sobre quando Wojtyla foi ao túmulo de Romero. O que aconteceu?

Durante a visita a San Salvador, ele perguntou quando estava prevista a etapa no túmulo de Romero. Disseram-lhe que não estava prevista. "Então eu vou para lá imediatamente", respondeu. E, chegando ao túmulo, estendeu os braços e se recolheu em uma intensa oração. Depois, disse aos bispos do país: "Romero é nosso", reivindicando o caráter eclesial, religioso e sacerdotal da vida de Romero.

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