Francisco: “Se você não sabe perdoar, não é cristão”

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Por: Jonas | 11 Setembro 2015

Paz e reconciliação. O papa Francisco desenvolveu sua homilia na Missa matutina da Casa Santa Marta partindo deste binômio. O Pontífice condenou os que produzem armas para assassinar nas guerras, mas também advertiu contra os conflitos internos das comunidades cristãs. O Papa também fez uma nova exortação aos sacerdotes para ser misericordiosos como é o Senhor.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 10-09-2015. A tradução é do Cepat.

“Se você é sacerdote e não quer ser misericordioso, diga a seu bispo que te dê um trabalho administrativo, mas não vá a um confessionário, por favor! Um sacerdote imisericordioso provoca muito dano no Confessionário! Maltrata as pessoas. ‘Não, Padre, eu sou misericordioso, mas sou um pouco nervoso’. ‘É verdade... então antes de ir ao confessionário vai ao médico para que te dê um comprimido para os nervos. Mas, seja misericordioso’, disse o Papa.

Jesus é o príncipe da paz porque gera paz em nossos corações. O papa Francisco partiu das leituras do dia para se deter no binômio paz-reconciliação. E após isto, questionou se “nós agradecemos o suficiente” por este dom da paz que recebemos em Jesus. A paz, disse, “foi dada, mas não aceita”.

Também hoje, todos os dias, “nos telejornais, nos jornais, constatou com amargura, vemos que há guerra, destruições, ódio, inimizade”.

“Também há homens e mulheres que trabalham muito, muito, para fabricar armas que matam, armas que acabam banhadas no sangue dos inocentes, de tanta gente. As guerras existem! Existem e também a maldade de preparar a guerra, de fazer armas contra os demais, para matar. A paz salva, a paz te faz viver, crescer; a guerra te aniquila, faz descender”.

No entanto, acrescentou, a guerra não é só esta, “também existe em nossas comunidades cristãs, entre nós”. E este, destacou, é o “conselho” que hoje a liturgia nos dá: “Promovam a paz entre vocês”. O perdão, acrescentou, é a palavra “chave”. “Como o Senhor os perdoou, ajam assim também vocês”.

“Se você não sabe perdoar, não é cristão. Será um bom homem, uma boa mulher... mas não fará o que o Senhor fez. E mais, se não perdoa, não pode receber a paz do Senhor, o perdão do Senhor. E cada dia, quando rezamos o Pai Nosso: ‘Perdoa nossas ofensas, como também perdoamos aos que nos ofendem...', trata-se de uma condição. Procuramos ‘convencer’ a Deus para que seja bom como nós somos bons perdoando, pelo contrário. Palavras, não é? Como se cantava nessa bela canção: ‘Parole, parole, parole’. Acredito que era Mina quem a cantava... Palavras! Perdoa-os! Como o Senhor os perdoou, ajam assim também vocês”.

Necessitamos da “paciência cristã”, retomou. “Quantas mulheres heroicas há em nosso povo, disse, que suportam, pelo bem da família, dos filhos, tanta maldade, tantas injustiças, suportam e continuam avançando com suas famílias”. “Quantos homens heroicos há em nosso povo cristão, prosseguiu, que suportam se levantar cedo, pelas manhãs, e vão trabalhar, muitas vezes, um trabalho injusto, mal remunerado, para voltar à noite, com o objetivo de manter a mulher e os filhos. Estes são os justos”.

Porém, advertiu, também existem os que “fazem trabalhar a língua e provocam a guerra”, porque a “língua destrói, provoca guerra”. Há “outra palavra chave” que Jesus nos oferece no Evangelho: “misericórdia”. É importante “compreender os demais, não condená-los”.

“O Senhor, o Pai, é tão misericordioso, afirmou, que sempre nos perdoa, sempre quer a paz conosco”. Porém, “se você não é misericordioso, advertiu o Papa, corre o risco de que o Senhor não seja misericordioso contigo, porque seremos julgados com a mesma medida com a qual julgamos os demais”.

“Se você é sacerdote e não quer ser misericordioso, diga a seu bispo que te dê um trabalho administrativo, mas não vá a um confessionário, por favor! Um sacerdote imisericordioso provoca muito dano no Confessionário! Maltrata as pessoas. ‘Não, Padre, eu sou misericordioso, mas sou um pouco nervoso’. ‘É verdade... então antes de ir ao confessionário vai ao médico para que te dê um comprimido para os nervos. Mas, seja misericordioso’. E também entre nós: sejamos misericordiosos. ‘Este fez isso e o outro... e eu... o que eu fiz?’. ‘Esse é mais pecador que eu!’: Quem pode dizer isto, que o outro é mais pecador do que eu? Ninguém pode dizer! Só o Senhor sabe”.

Como ensina São Paulo, evidenciou o Papa, é necessário “revestir-se de ternura, de bondade, de humildade, de mansidão, de magnanimidade”. Este, disse Francisco, “é o estilo cristão”, “o estilo com o qual Jesus fez a paz e a reconciliação”. “Não é a soberba, não é a condenação, não é falar mal dos demais”. Que o Senhor, concluiu, “dê a todos nós a graça de nos suportar mutuamente, de perdoar, de sermos misericordiosos como o Senhor é misericordioso conosco”.