Diante da cegueira idólatra, um novo Brasil a ser reconstruído. Entrevista especial com Ricardo Timm de Souza

Manifestação | Foto: ObaOba

Por: Ricardo Machado | 11 Abril 2019

Há uma longa tradição de estudos a respeito das impressões que as pessoas têm sobre as imagens do mundo. Do Mito da Caverna de Platão ao Instagram, a distância entre o mundo concreto e as representações do mundo em dispositivos móveis é sempre menos óbvia do que parece. Nesse contexto, a idolatria – seja a ideais estéticos, a marcas ou figuras humanas – tende a operar quase como necessidade básica. Mas a questão, porém, é que esse desejo idólatra tende a transformar a visão em cegueira. “Para Flusser, ‘idolatria [é a] incapacidade de decifrar os significados da ideia, não obstante a capacidade de lê-la, portanto, adoração da imagem’”, explica o professor doutor Ricardo Timm de Souza, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. “O homem ‘existe’, isto é, o mundo não lhe é acessível imediatamente. Imagens têm o propósito de lhe representar o mundo. Mas, ao fazê-lo, entrepõem-se entre mundo e homem. Seu propósito é serem mapas do mundo, mas passam a ser biombos. O homem, ao invés de se servir das imagens em função do mundo, passa a viver em função de imagens”, complementa.

Se o tema parece abstrato em uma olhada rápida, ao ser colocado em contraste com o Brasil contemporâneo a questão ganha contornos dramáticos. “É evidente, portanto, a relevância de uma tal interpretação para compreender o Brasil de hoje. O imaginário social se encontra completamente penetrado e saturado de imagens que se multiplicam umas às outras e se espalham sem que haja a possibilidade de sua real compreensão, servindo assim a uma ideologia do obscurecimento, ou do obscurantismo, que tem como alvo manter as pretensas ‘mônadas’ [sujeitos] rigorosamente separados uns dos outros”, pondera.

Ao pensar o futuro do país, o professor salienta que “a tarefa de conduzir o Brasil à situação em que merece estar depende de uma ampla e radical tarefa pedagógico-terapêutica. Sem a dimensão que combate a superficialidade da lógica do raso, a lugar nenhum chegaremos. Sem o enfrentamento de uma situação de doença generalizada e esfacelamento medroso da sociedade, igualmente a nenhum lugar chegaremos. Há que combinar essas duas dimensões em um projeto de reativação dos afetos cognitivo-relacionais”.

Ricardo Timm (Foto: IFIBE)

Ricardo Timm de Souza é graduado em Instrumentos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e em Estudos Sociais e Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Também cursou mestrado em Filosofia pela PUCRS e doutorado em Filosofia pela Universität Freiburg (Albert-Ludwigs). É autor, entre outras obras, de Em torno à diferença – Aventuras da alteridade na complexidade da cultura contemporânea (Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007). Também é um dos organizadores de Alteridade e Ética – Obra comemorativa dos 100 anos do nascimento de Emmanuel Lévinas (Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008).

 

Confira a entrevista.

IHU On-Line – De onde vem a noção de idolatrização em seu sentido clássico?

Ricardo Timm de Souza – Entre as muitas heranças e recepções do termo, a mais utilizada se baseia na origem etimológica do conceito: eidololatreía, de eidolon (eidos > eídolon: ídolo: imagem, representação) + latreía (latria: veneração, adoração, reverência) > idolatria. É uma compreensão básica, da qual muitas outras são deriváveis, e permitem atualizações da questão em termos estritamente contemporâneos, em sentido histórico, sociológico, filosófico e teológico.

IHU On-Line – Quais são as raízes teológicas da idolatrização?

Ricardo Timm de Souza – É na Bíblia, em seu conjunto de Antigo e Novo Testamentos, que se encontram os elementos chave para a compreensão do tema da idolatria através dos tempos. Pode-se, por exemplo, acompanhar essa temática ao longo de uma série de escritos de profetas de várias épocas – Oseias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Amós, Miqueias, Sofonias, por exemplo – no que tange a inúmeras formas de idolatria às quais os israelitas se entregaram ao longo do tempo (o que vale, igualmente, para uma série de outros escritos bíblicos – salmos, escritos sapienciais etc.): divinização de reinos poderosos e potências estrangeiras, de objetos de culto, de riquezas diversas, de figuras humanas e outros. Naturalmente permanece como protótipo de idolatria o famoso episódio da adoração do famoso “bezerro de ouro” na época mosaica. No novo testamento, o protótipo é a separação absoluta, no evangelho, entre Deus e Mammon, denunciando a adoração a Mammon (lato senso: ouro, dinheiro e bens materiais) como idolatria e estabelecendo, como bem diz José Luis Sicre [1], um paralelo entre a radical advertência de Elias sobre a disjunção absoluta entre Javeh e Baal e sua correspondência muito posterior na interdição ao culto de Mammon, através da disjunção absoluta entre Deus e Mammon, no Novo Testamento.

IHU On-Line – Na transição dentro da modernidade houve uma secularização ou profanação da idolatrização?

Ricardo Timm de Souza – Não utilizo o termo “profanação”, devido à visão contemporânea no contexto biopolítico que nos é trazida por autores como Agamben [2]. Nesse sentido, pode-se dizer que houve, de algum modo, uma crescente apropriação, pelo saber crítico não (necessariamente) teológico, de elementos constitutivos da temática da idolatria que, na verdade, nunca foram exclusivamente religiosos. Com o surgimento da sociedade capitalista ao longo dos séculos XVI e XVII, a questão da idolatria passa de uma questão privada a uma questão social, na qual o “ouro”, na condição de símbolo da atração absoluta de atitudes de sociedades inteiras, transforma-se no novo “deus” da modernidade nascente. Tal fato é historicamente rastreável através do acompanhamento do desenvolvimento das grandes navegações, das novas lógicas comerciais e do estabelecimento de novas populações e de novas configurações da antiga lógica da guerra por territórios, posses ou riquezas.

IHU On-Line – Quais são as consequências políticas da idolatrização como artifício de poder do Estado a partir da modernidade?

Ricardo Timm de Souza – Tal artifício, ou estratégia de aquisição de poder e sua manutenção, só aconteceu devido a uma renovação da lógica de estabelecimento identificatório entre poder secular e religioso, atualizando momentos históricos como aquele do “cesaropapismo” medieval que vai dar origem à cristandade. Os grandes navegadores tinham uma dupla tarefa: cristianizar os povos e tomar riquezas. Essas tarefas não eram mutuamente excludentes; as viagens tinham as bênçãos civis e religiosas. Por mais que esse seja apenas um exemplo, na verdade a modernidade adapta a inúmeras e diversas situações essa particular combinação entre riqueza e religião, a ponto de desembocar em sistemas de funcionamento nos quais esses elementos são praticamente indistinguíveis e configuram uma visão de mundo e mesmo uma “metafísica” particular. O clássico intérprete de tal sincretismo, como sabemos, é Max Weber [3]. E essa leitura, por ampla e profunda que seja, é apenas uma das interpretações possíveis do fenômeno.

IHU On-Line – O que é “a era da idolatria” nos termos de Flusser? Como isso se conecta ao Brasil atual?

Ricardo Timm de Souza – Para Flusser [4], “idolatria [é a] incapacidade de decifrar os significados da ideia, não obstante a capacidade de lê-la, portanto, adoração da imagem”. Ou seja, na sua concepção, que assumimos, o conceito de idolatria escapa de uma conotação restritiva – imagens, figurações particulares – e se desdobra em tudo aquilo que oculta parte do que mostra, com especial foco nas ideias; em sendo apenas apreendida “a imagem” da ideia – sua “visibilidade” plana, sem profundidade, sem história, sem fecundidade – restringe-se a compreensão a um nível absolutamente elementar, e, como diz o autor, acaba por obliterar aquilo que é a função precípua das imagens: facilitar-nos o acesso ao mundo. Há uma excelente passagem de Flusser na qual isso é bem esclarecido: “Imagens são mediações entre homem e mundo. O homem “existe”, isto é, o mundo não lhe é acessível imediatamente. Imagens têm o propósito de lhe representar o mundo. Mas, ao fazê-lo, entrepõem-se entre mundo e homem. Seu propósito é serem mapas do mundo, mas passam a ser biombos. O homem, ao invés de se servir das imagens em função do mundo, passa a viver em função de imagens. Não mais decifra as cenas da imagem como significados do mundo, mas o próprio mundo vai sendo vivenciado como conjunto de cenas. Tal inversão da função das imagens é idolatria. Para o idólatra – o homem que vive magicamente –, a realidade reflete imagens. Podemos observar, hoje, de que forma se processa a magicização da vida: as imagens técnicas, atualmente onipresentes, ilustram a inversão da função imaginística e remagicizam a vida” [5].

É evidente, portanto, a relevância de uma tal interpretação para compreender o Brasil de hoje. O imaginário social se encontra completamente penetrado e saturado de imagens que se multiplicam umas às outras e se espalham sem que haja a possibilidade de sua real compreensão, servindo assim a uma ideologia do obscurecimento, ou do obscurantismo, que tem como alvo manter as pretensas “mônadas” – “indivíduos”, no sentido moderno de “indivíduo contratante, e não como sujeito de sua própria história – rigorosamente separados uns dos outros. Isso é possível porque a mobilização ao estilo fascista ou protofascista de emoções mal resolvidas – que traduzem um dos grandes males de nossa época: a doença do desejo, as relações doentes como sintomas de uma sociedade profundamente doente, na qual o medo é uma espécie de princípio retorcido de realidade, em uma leitura psicanalítica – se acopla a uma pretensa necessidade de segurança em um mundo que significa, em seus constitutivos profundos, uma “totalidade em desagregação”, como escrevi em um livro com esse título de 1996. Do ponto de vista empírico, a crise ecológica atual é o testemunho cabal de uma tal desagregação.

IHU On-Line – O tema da profanação de dispositivos teológicos como dispositivos políticos modernos foi amplamente discutido na obra de Agamben. Nesse sentido, como o autor joga luz sobre esses aspectos e como isso rebate na realidade contemporânea do Brasil?

Ricardo Timm de Souza – Na minha percepção, nenhum autor isoladamente dá conta da complexidade da questão. Nesse sentido, é necessário a meu ver um projeto amplo e profundo de penetração histórico-filosófica no tema da idolatria tal como ela se apresenta hoje. Há que passar, entre outros autores, por Spinoza [6], Schopenhauer [7], Marx [8], Kafka [9], Freud [10], Rosenzweig [11], Hinkelammert [12], Warburg [13], Benjamin [14], Arendt [15], Adorno [16], Flusser, Agamben, Levinas [17], Derrida [18], para se poder equacionar o problema à altura de sua gravidade. Em outros termos, urge, na minha visão, o projeto ao qual atualmente me dedico: a elaboração de uma “crítica da razão idolátrica” que penetre no turbilhão de metamorfoses que o tema da idolatria assume na contemporaneidade para compreender filosoficamente o sentido que uma desconstrução da idolatria deve assumir, aqui e agora, no mundo e – especialmente – no Brasil.

IHU On-Line – Há todo um vocabulário teológico que acaba sendo utilizado para pensarmos, no limite, questões sociológicas. Nesse sentido, como a noção de “culto às imagens” é trabalhada por Didi-Huberman?

Ricardo Timm de Souza – Didi-Huberman [19] é um herdeiro privilegiado e talentoso de Walter Benjamin, no sentido em que desenvolve através do estudo das obras de arte, de seus contextos e significações, das imagens em geral, um aspecto central do pensamento do próprio Benjamin: trata-se de reler as camadas múltiplas da realidade e perceber o quanto diz aquilo que aparentemente nada diz. Assim, sua obra é, como a do filósofo de Berlim, essencialmente anti-idolátrica. Evidentemente, o processo crítico de sua obra, desde pelo menos A invenção da histeria (Rio de Janeiro: Editora Contraponto, 2015), acutila qualquer tentação de quietismo interpretativo que uma determinada obra ou produção figurativa poderia vir eventualmente a reivindicar. E, portanto, não existem questões exclusivas à história da arte: todas as suas questões são, sempre, históricas e antropológicas, e finalmente filosóficas.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Ricardo Timm de Souza – Apenas que a tarefa de conduzir o Brasil à situação em que merece estar depende de uma ampla e radical tarefa pedagógico-terapêutica. Sem a dimensão que combate a superficialidade da lógica do raso, a lugar nenhum chegaremos. Sem o enfrentamento de uma situação de doença generalizada e esfacelamento medroso da sociedade, igualmente a nenhum lugar chegaremos. Há que combinar essas duas dimensões em um projeto de reativação dos afetos cognitivo-relacionais. A tarefa é gigantesca, mas, como dizia Franz Rosenzweig, “o tempo certo está aí”.

 

Notas: 

[1] SICRE, J. L. Los dioses olvidados – poder y riqueza em los profetas preexílicos, Madrid, Ediciones Crsitandad, 1978, p. 17. (Nota do entrevistado)

[2] Giorgio Agamben (1942): filósofo italiano. É professor da Facolta di Design e arti della IUAV (Veneza), onde ensina Estética, e do College International de Philosophie de Paris. Formado em Direito, foi professor da Universitá di Macerata, Universitá di Verona e da New York University, cargo ao qual renunciou em protesto à política do governo estadunidense. Sua produção centra-se nas relações entre filosofia, literatura, poesia e, fundamentalmente, política. Entre suas principais obras estão Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua (Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002), A linguagem e a morte (Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2005), Infância e história: destruição da experiência e origem da história (Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2006); Estado de exceção (São Paulo: Boitempo Editorial, 2007), Estâncias – A palavra e o fantasma na cultura ocidental (Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2007) e Profanações (São Paulo: Boitempo Editorial, 2007).

Em 4-9-2007, o sítio do Instituto Humanitas Unisinos - IHU publicou a entrevista Estado de exceção e biopolítica segundo Giorgio Agamben, com o filósofo Jasson da Silva Martins. A edição 236 da IHU On-Line, de 17-9-2007, publicou a entrevista Agamben e Heidegger: o âmbito originário de uma nova experiência, ética, política e direito, com o filósofo Fabrício Carlos Zanin. A edição 81 da publicação, de 27-10-2003, teve como tema de capa O Estado de exceção e a vida nua: a lei política moderna. Em 30-6-2016, o professor Castor Bartolomé Ruiz proferiu a conferência Foucault e Agamben. Implicações Ético Políticas do Cristianismo.

De 16-3-2016 a 22-6-2016, Ruiz ministrou a disciplina de Pós-Graduação em Filosofia e também validada como curso de extensão através do IHU intitulada Implicações ético-políticas do cristianismo na filosofia de M. Foucault e G. Agamben. Governamentalidade, economia política, messianismo e democracia de massas, que resultou na publicação da edição 241 dos Cadernos IHU ideias, intitulado O poder pastoral, as artes de governo e o estado moderno. Em 23 e 24-5-2017, o IHU realizou o VI Colóquio Internacional IHU – Política, Economia, Teologia. Contribuições da obra de Giorgio Agamben, com base sobretudo na obra O reino e a glória. Uma genealogia teológica da economia e do governo (São Paulo: Boitempo, 2011. Tradução de: Il regno e la gloria. Per una genealogia teológica dell’ecconomia e del governo. Publicado originalmente por Neri Pozza, 2007). Saiba mais aqui. Em 2017 a revista IHU On-Line publicou a edição Giorgio Agamben e a impossibilidade de salvação da modernidade e da política moderna, nº 505. (Nota da IHU On-Line)

[3] Max Weber (1864-1920): sociólogo alemão, considerado um dos fundadores da Sociologia. Ética protestante e o espírito do capitalismo (São Paulo: Companhia das Letras) é uma das suas mais conhecidas e importantes obras. A IHU On-Line dedicou-lhe a sua edição 101, de 17-5-2004, intitulada Max Weber. A ética protestante e o espírito do capitalismo 100 anos depois. Sobre Max Weber, o IHU publicou o Cadernos IHU em Formação nº 3, de 2005, chamado Max Weber – o espírito do capitalismo. (Nota da IHU On-Line)

[4] Vilém Flusser (1920-1992): filósofo tcheco, naturalizado brasileiro. Autodidata, durante a Segunda Guerra, fugindo do nazismo, mudou-se para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde atuou por cerca de 20 anos como professor de filosofia, jornalista, conferencista e escritor. Em 2012, a revista IHU On-Line, nº 399, dedicou o tema de capa ao autor. (Nota da IHU On-Line)

[5] FLUSSER, V. Filosofia da caixa preta, São Paulo: Annablume, 2011. (Nota do entrevistado)

[6] Baruch Spinoza (ou Espinosa, 1632-1677): filósofo holandês. Sua filosofia é considerada uma resposta ao dualismo da filosofia de Descartes. Foi considerado um dos grandes racionalistas do século 17 dentro da Filosofia Moderna e o fundador do criticismo bíblico moderno. Confira a edição 397 da IHU On-Line, de 6-8-2012, intitulada Baruch Spinoza. Um convite à alegria do pensamento. (Nota da IHU On-Line)

[7] Arthur Schopenhauer (1788-1860): filósofo alemão. Sua obra principal é O mundo como vontade e representação, embora o seu livro Parerga e Paraliponema (1815) seja o mais conhecido. Friedrich Nietzsche foi grandemente influenciado por Schopenhauer, que introduziu o budismo e a filosofia indiana na metafísica alemã. Schopenhauer, entretanto, ficou conhecido por seu pessimismo. Ele entendia o budismo como uma confirmação dessa visão. (Nota da IHU On-Line)

[8] Karl Marx (1818-1883): filósofo, cientista social, economista, historiador e revolucionário alemão, um dos pensadores que exerceram maior influência sobre o pensamento social e sobre os destinos da humanidade no século 20. A edição 41 dos Cadernos IHU ideias, de autoria de Leda Maria Paulani, tem como título A (anti)filosofia de Karl Marx. Também sobre o autor, a edição número 278 da revista IHU On-Line, de 20-10-2008, é intitulada A financeirização do mundo e sua crise. Uma leitura a partir de Marx. A entrevista Marx: os homens não são o que pensam e desejam, mas o que fazem, concedida por Pedro de Alcântara Figueira, foi publicada na edição 327 da IHU On-Line, de 3-5-2010. A IHU On-Line preparou uma edição especial sobre desigualdade inspirada no livro de Thomas Piketty O Capital no Século XXI, que retoma o argumento central de O Capital, obra de Marx. A revista IHU On-Line, edição 525, intitulada Karl Marx, 200 anos - Entre o ambiente fabril e o mundo neural de redes e conexões, em celebração aos 200 anos do nascimento do pensador. (Nota da IHU On-Line)

[9] Franz Kafka (1883-1924): escritor tcheco, de língua alemã. Considerado pela crítica um dos escritores mais influentes do século 20. A maior parte de sua obra, como A metamorfose, O processo e O castelo, está repleta de temas e arquétipos de alienação e brutalidade física e psicológica, conflito entre pais e filhos, personagens com missões aterrorizantes, labirintos burocráticos e transformações místicas. Albert Camus, Gabriel García Márquez e Jean-Paul Sartre estão entre os escritores influenciados pela obra de Kafka. O termo "kafkiano" popularizou-se em português como algo complicado, labiríntico e surreal, como as situações encontradas em sua obra. (Nota da IHU On-Line)

[10] Sigmund Freud (1856-1939): neurologista nascido em Freiberg, Tchecoslováquia. É o fundador da psicanálise. Interessou-se, inicialmente, pela histeria e, tendo como método a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, interessado pelo inconsciente e pelas pulsões, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre. Estes elementos tornaram-se bases da psicanálise. Desenvolveu a ideia de que as pessoas são movidas pelo inconsciente. Freud, suas teorias e o tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século 19 e continuam ainda muito debatidos. A edição 179 da IHU On-Line, de 8-5-2006, dedicou-lhe o tema de capa sob o título Sigmund Freud. Mestre da suspeita. A edição 207, de 4-12-2006, tem como tema de capa Freud e a religião. A edição 16 dos Cadernos IHU em formação tem como título Quer entender a modernidade? Freud explica. (Nota da IHU On-Line)

[11] Franz Rosenzweig (1886-1929): filósofo judeu nascido na Alemanha, é autor de uma obra importante na qual se destacam Der Stern der Erlösung (A estrela da redenção) e Judentum und Christentum (Judaísmo e Cristianismo). Trabalhou com Martin Buber na tradução da Bíblia hebraica para o alemão. Confira a entrevista que Ricardo Timm de Souza concedeu à IHU On-Line: Rosenzweig e uma nova compreensão da ideia de sujeito. (Nota da IHU On-Line)

[12] Franz Hinkelammert (1931): economista, influenciado pelo marxista luterano Helmut Gollwitzer, obteve doutorado em Economia pela Universidade Livre de Berlim. Entre 1963 e 1973, foi professor da Universidade Católica do Chile e integrante do CEREN. Entre 1973 e 1976, foi professor da Universidade Livre de Berlim. Entre 1978 e 1982, foi diretor do curso de Pós-Graduação em Política Econômica da Universidade Autônoma de Honduras e professor e investigador do Conselho Superior Universitário Centroamericano (CSUCA). Foi fundador, diretor e docente do Departamento Ecumênico de Investigações (DEI), em San José (Costa Rica). Como economista, tinha especial interesse pela ideologia da economia. Começou a se interessar por sociologia por meio da leitura de textos de Max Weber e de Karl Marx, e por teologia, por meio da leitura de textos de Helmut Golwitzer. Em 1963, Himkelammert chegou ao Chile, convidado pela Fundação Adenauer. Na época, era ligada à democracia cristã, que então contava com correntes reformistas no Chile. Ministrou cursos sobre utopia, projetos de transformação, teorias de desenvolvimento, teoria da dependência e outros temas afins na universidade e em movimentos sociais. Nesse processo rompeu com a democracia cristã e com a Fundação Adenauer. (Nota da IHU On-Line)

[13] Aby Warburg: alemão, famoso historiador da arte do início do século XX, que, imbuído de um olhar antropológico, descobrira um vínculo entre a cultura dos índios hopis do Novo México e a civilização do Renascimento. (Nota da IHU On-Line)

[14] Walter Benjamin (1892-1940): filósofo alemão. Foi refugiado judeu e, diante da perspectiva de ser capturado pelos nazistas, preferiu o suicídio. Associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, foi fortemente inspirado tanto por autores marxistas, como Bertolt Brecht, como pelo místico judaico Gershom Scholem. Conhecedor profundo da língua e cultura francesas, traduziu para o alemão importantes obras como Quadros parisienses, de Charles Baudelaire, e Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. O seu trabalho, combinando ideias aparentemente antagônicas do idealismo alemão, do materialismo dialético e do misticismo judaico, constitui um contributo original para a teoria estética. Entre as suas obras mais conhecidas, estão A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica (1936), Teses sobre o conceito de história (1940) e a monumental e inacabada Paris, capital do século XIX, enquanto A tarefa do tradutor constitui referência incontornável dos estudos literários. Sobre Benjamin, confira a entrevista Walter Benjamin e o império do instante, concedida pelo filósofo espanhol José Antonio Zamora à IHU On-Line nº 313. (Nota da IHU On-Line)

[15] Hannah Arendt (1906-1975): filósofa e socióloga alemã, de origem judaica. Foi influenciada por Husserl, Heidegger e Karl Jaspers. Em consequência das perseguições nazistas, em 1941, partiu para os Estados Unidos, onde escreveu grande parte das suas obras. Lecionou nas principais universidades deste país. Sua filosofia assenta em uma crítica à sociedade de massas e à sua tendência para atomizar os indivíduos. Preconiza um regresso a uma concepção política separada da esfera econômica, tendo como modelo de inspiração a antiga cidade grega. A edição 438 da IHU On-Line, A Banalidade do Mal, de 24-3-2014, abordou o trabalho da filósofa. Sobre Arendt, confira ainda as edições 168 da IHU On-Line, de 12-12- 2005, sob o título Hannah Arendt, Simone Weil e Edith Stein. Três mulheres que marcaram o século XX, e 206, de 27-11-2006, intitulada O mundo moderno é o mundo sem política. Hannah Arendt 1906-1975. (Nota da IHU On-Line)

[16] Theodor Wiesengrund Adorno (1903-1969): sociólogo, filósofo, musicólogo e compositor, definiu o perfil do pensamento alemão das últimas décadas. Adorno ficou conhecido no mundo intelectual, em todos os países, em especial pelo seu clássico Dialética do Iluminismo, escrito junto com Max Horkheimer, primeiro diretor do Instituto de Pesquisa Social, que deu origem ao movimento de ideias em filosofia e sociologia que conhecemos hoje como Escola de Frankfurt. (Nota da IHU On-Line)

[17] Emmanuel Levinas (1906-1995): filósofo e comentador talmúdico lituano, de ascendência judaica e naturalizado francês. Foi aluno de Husserl e conheceu Heidegger, cuja obra Ser e tempo o influenciou muito. “A ética precede a ontologia” é uma frase que caracteriza seu pensamento. Escreveu, entre outros, Totalidade e Infinito (Lisboa: Edições 70, 2000). Sobre o filósofo, confira a entrevista com Rafael Haddock-Lobo, publicada em 30-08-2007 no sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, intitulada Lévinas: justiça à sua filosofia e a relação com Heidegger, Husserl e Derrida, e a edição número 277 da IHU On-Line, de 14-10-2008, intitulada Lévinas e a majestade do Outro. (Nota da IHU On-Line)

[18] Jacques Derrida (1930-2004): filósofo francês, criador do método chamado desconstrução. Seu trabalho é associado, com frequência, ao pós-estruturalismo e ao pós-modernismo. Entre as principais influências de Derrida encontram-se Sigmund Freud e Martin Heidegger. Entre sua extensa produção, figuram os livros Gramatologia (São Paulo: Perspectiva), A farmácia de Platão (São Paulo: Iluminuras), O animal que logo sou (São Paulo: Unesp), Papel-máquina (São Paulo: Estação Liberdade) e Força de lei (São Paulo: WMF Martins Fontes). É dedicada a Derrida a editoria Memória, da IHU On-Line nº 119, de 18-10-2004. (Nota da IHU On-Line)

[19] Georges Didi-Huberman (1953): nascido em Saint-Étienne, é filósofo, historiador, crítico de arte e professor da École de Hautes Études em Sciences Sociales, em Paris. Considerado um dos grandes intelectuais franceses de sua geração. Autor de uma vasta obra ensaística, baseado em autores como Freud, Benjamin, Pasolini e Warburg. Trata de temas que vão da filosofia da imagem à história da arte, passando por cinema e literatura. Alguns de seus livros: O que vemos, o que nos olha (Editora 34), Diante da imagem (Editora 34), A Imagem Sobrevivente. História da arte e tempo dos fantasmas segundo Aby Warburg (Contraponto) e Imagens apesar de tudo (Lisboa, KKYM). Em 2013, a revista IHU On-Line dedicou o tema de capa As imagens nos olham. Como ver o que nos olha? inspirado no pensamento do autor, cuja edição pode ser lida na íntegra aqui. (Nota da IHU On-Line)

 

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