É nisso que consiste o discipulado: agir como Jesus agiu, claro, no contexto em que vivemos hoje.
O fato de os doze representarem as doze tribos de Israel nos convida a compreender que o chamado é dirigido a um povo.
A lógica por trás da missão confiada é a própria experiência de ter recebido o reino de Deus gratuitamente e, consequentemente, de dá-lo gratuitamente.
Pedir ao Pai que envie trabalhadores é, ao mesmo tempo, comprometermo-nos com a missão que nos foi confiada, porque hoje somos nós que Jesus chama e devemos responder com generosidade e prontidão.
O comentário do evangelho do 11º Domingo do Tempo Comum, Ciclo Litúrgico A, é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 09-06-2026.
Naquele tempo, Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: "A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!" Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: "Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!" (Mateus 9,36-10,8)
O ciclo litúrgico deste ano corresponde ao Evangelho de Mateus; portanto, suas leituras nos acompanharão ao longo deste Tempo Comum, que retomamos hoje após termos celebrado diversas festas nos domingos anteriores. Mateus narra muitas das obras de Jesus, e no Evangelho de hoje, Jesus envia seus seguidores para fazerem o mesmo que Ele fez. É nisso que consiste o discipulado: agir como Jesus agiu, claro, dentro do contexto em que vivemos hoje. Jesus escolhe doze apóstolos, e Mateus nos dá o nome de cada um. O número doze corresponde às doze tribos de Israel, que, com Jesus, são reinterpretadas à luz da missão que Ele está prestes a confiar aos seus seguidores. Na lista de apóstolos, o primeiro nomeado é Pedro, e o último é Judas. Essa ordem é compreensível: Pedro ocupará um lugar central na Igreja posterior, e Judas é o traidor. O fato de os doze representarem as doze tribos de Israel nos convida a compreender que o chamado é a um povo. Claro, Ele nos chama pelo nome, mas para a missão entre o povo. Não se trata de um chamado individualista, mas sim de um chamado que nos impulsiona para a comunidade e suas necessidades.
Na descrição que Jesus faz dos discípulos, a intenção do Reino de Deus fica clara: é um reino de compaixão e misericórdia. Por isso, o Evangelho começa dizendo que Jesus, ao ver as multidões que o seguiam, sente compaixão por elas, pois as vê cansadas e abatidas. Da mesma forma, ele envia os discípulos para curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos — em outras palavras, para atender a todas as necessidades que encontrarem, porque o Reino de Deus é misericórdia e serviço diante da dor, da opressão ou da pobreza sofridas por aqueles que nos rodeiam.
Pode parecer estranho que Jesus lhes diga para não irem às cidades pagãs ou à cidade dos samaritanos. Possivelmente, essa era a intenção de Mateus ao escrever aos judeus: fazê-los perceber que eram os primeiros a receber o reino e, como tal, esperava-se uma resposta positiva.
A lógica por trás da missão que lhes foi confiada reside na própria experiência de terem recebido o Reino de Deus gratuitamente e, consequentemente, de o darem gratuitamente. Não são indivíduos privilegiados que podem acumular o que receberam. Pelo contrário, são recipientes de algo que deve alcançar a todos. E devem demonstrar essa generosidade e confiança em suas vidas, livres de quaisquer seguranças — duas túnicas, sapatos ou um cajado — porque foram enviados em missão e Deus lhes proverá tudo o que precisam para cumpri-la.
Neste contexto, entende-se que a colheita é abundante, daí a necessidade de trabalhadores. Pedir ao Pai que envie trabalhadores é, ao mesmo tempo, comprometermo-nos com a missão que nos foi confiada, porque hoje somos nós que Jesus chama, e devemos responder com generosidade e prontidão.