Discurso de Trump na ONU vira “show de horrores” do negacionismo climático

Trump discursando na Assembleia Geral da ONU | Foto: Gabinete do Primeiro-Ministro da Alemanha/ Flickr-CC

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Setembro 2025

O presidente norte-americano repete mentiras e distorções para atacar a ciência do clima e as fontes renováveis de energia em discurso na ONU.

A reportagem é publicada por Climainfo, 24-09-2025.

Uma sessão de tortura no plenário da Assembleia Geral da ONU. Por quase uma hora, líderes internacionais, diplomatas e jornalistas tiveram que ouvir as lamúrias do presidente dos EUA, Donald Trump, em um discurso recheado de absurdos, exageros, mentiras e desinformações. Claro que, na longa lista de tópicos, Trump gastou alguns minutos espalhando distorções e falsidades contra a ciência do clima e a transição energética para fontes renováveis – segundo ele, preocupações “estúpidas”.

Para Trump, a ciência das mudanças climáticas se trata da “maior fraude já perpetrada no mundo” e ainda brincou, em tom jocoso, que os Estados Unidos são o país “mais quente do mundo” pelo fato de sua economia experimentar uma suposta “era de ouro”.

O site POLITICO destacou os ataques de Trump aos esforços da ONU na agenda climática. Em sua fala, incentivou outros países a comprar energia dos EUA, ao mesmo tempo que alegou que o país não faria “sacrifícios” para afastar o mundo da energia fóssil. Ele chegou a criticar a União Europeia pelos esforços na redução de sua pegada de carbono, alegando que isto afetou a economia da região.

“Temos a maior quantidade de petróleo do mundo, petróleo e gás, e se você adicionar o carvão, temos a maior quantidade [de carvão] do mundo”, disse Trump, em tom celebratório, citado pela Reuters. O presidente dos EUA criticou a preocupação dos países com a transição energética, afirmando que esse esforço seria um “sofrimento” autoinfligido. “[Exigir que] as nações industrializadas bem-sucedidas inflijam sofrimento a si mesmas e perturbem radicalmente suas sociedades deve ser rejeitado completa e totalmente”.

O discurso foi, unanimemente, visto como “um show de horrores”. Além de atacar a ciência climática, Trump também desferiu golpes ao funcionamento da ONU, destacando que a escada rolante e o teleprompter não estavam funcionando. Como esperado, também falou mal da imigração, concluindo, ao final: “Vocês precisam de fronteiras fortes e fontes de energia tradicionais se quiserem ser grandes novamente”.

“Com tanta ciência mostrando que as mudanças climáticas e o aquecimento global são reais, já faz muito tempo que não vemos um líder subir em um palco como aquele e contestar essas coisas”, comentou Caitriona Perry, apresentadora-chefe da BBC News.

O discurso negacionista de Trump também foi notícia no Wall Street Journal, Barron’s e NBC News.

Em tempo 1

Enquanto Trump usa a Assembleia Geral da ONU para espalhar mentiras, o governo dos EUA está próximo a definir qual será seu caminho em relação à Convenção da ONU sobre o Clima (UNFCCC). Segundo o POLITICO, aliados do presidente esperam que ele cumpra sua promessa de campanha e abandone definitivamente as negociações climáticas. Isso pode prejudicar o multilateralismo climático para além do governo Trump, já que a participação dos EUA na UNFCCC foi referendada pelo Senado norte-americano. Se os EUA deixarem a Convenção, um possível sucessor de Trump precisaria ratificar novamente o tratado junto ao Senado, com o apoio de 2/3 da Casa - o que é pouco provável.

Em tempo 2

Segundo um alto funcionário da Casa Branca, seu governo está priorizando a assinatura de acordos de petróleo e gás durante a Semana do Clima de Nova York. A administração Trump vê essa janela de oportunidade com países buscando se desfazer da dependência do petróleo russo, conta o Axios. Neil Chatterjee, ex-presidente da Comissão Federal de Regulamentação de Energia, chegou a afirmar que a "IA vai nos 'tirar' do debate de décadas entre combustíveis fósseis e energia limpa", pois a esquerda política admitirá que não é possível utilizar a tecnologia sem os combustíveis fósseis.

Leia mais