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22 Janeiro 2012

A "corresponsabilidade" voltou. Durante o Concílio Vaticano II, essa era uma das palavras mais recorrentes. Depois, durante anos, desapareceu. Um congresso organizado na França traz novamente à tona a "corresponsabilidade" e indica a comunidade Saint-Luc, em Marselha, como modelo de colaboração entre clero e leigos na Igreja.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 20-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quem repropôs a discussão foi Nicole Lemaitre no sítio francês Baptises, segundo a qual a corresponsabilidade se realiza a partir da noção de comunhão, no sentido daquilo que é a vida trinitária: "Todos os fiéis estão presentes nela, por causa da sua participação na graça dos sacramentos". Os pontos de partida são o lema da Assembleia Geral do Episcopado Francês de 1973 ("Todos responsáveis na Igreja") e a exortação apostólica Christifideles laici ("Em virtude dessa dignidade batismal comum, o fiel leigo é corresponsável, com todos os ministros ordenados e com os religiosos e as religiosas, pela missão da Igreja").

Os precedentes foram particularmente significativos. Na conferência inaugural do IV Congresso Eclesial (Verona, 16 a 20 de outubro de 2006), o cardeal Dionigi Tettamanzi indicou a corresponsabilidade como "fundamento de uma relação entre os vários componentes do povo de Deus, rico e fecundo do ponto de vista eclesiológico". De diversos setores eclesiais, explica Giorgio Campanini, professor de história das doutrinas políticas da Universidade de Parma, foram propostas iniciativas a fim de valorizar a contribuição dos leigos à vida da Igreja. "A contribuição do apostolado dos leigos na missão evangelizadora da Igreja foi definida no passado por duas palavras, atrás das quais há uma longa história de disputas eclesiológicas e de opções pastorais: 'participação' e 'colaboração'", afirma Campanini.

Mas a bússola no "revival" da corresponsabilidade é constituída pelo discurso proferido no fim de maio de 2009 por Bento XVI na Basílica de São João de Latrão, na abertura do Congresso Eclesial da diocese de Roma, que teve como tema "Pertencimento eclesial e corresponsabilidade pastoral". O Papa indicou os leigos como corresponsáveis na missão da Igreja. Eles não podem mais ser considerados como "colaboradores" do clero, mas devem ser vistos como "corresponsáveis" pela missão da Igreja. Uma exortação a se interrogar sobre a verdade de fé sentida e praticada pelos fiéis, especialmente pelos leigos, e sobre o quanto o seu pertencimento eclesial está aberto à corresponsabilidade pastoral.

Joseph Ratzinger retomou os frutos do Concílio Vaticano II, mas, ao mesmo tempo, sublinhou que a sua recepção não ocorreu sempre sem dificuldades e de acordo com uma interpretação correta, enquanto houve a tendência de identificar a Igreja com a hierarquia. Em particular, ele alertou contra uma visão puramente sociológica da noção de Povo de Deus, advertindo que o Concílio não quis uma ruptura, uma outra Igreja, "mas sim uma verdadeira e profunda renovação, na continuidade do único sujeito Igreja, que cresce no tempo e se desenvolve, permanecendo porém sempre idêntico, único sujeito do Povo de Deus em peregrinação".

Hoje, muitos batizados se perderam do caminho da Igreja e não se sentem parte da comunidade eclesial, ou se dirigem às paróquias para receber serviços religiosos só em determinadas circunstâncias. "Isso exige uma mudança de mentalidade, que se refere especialmente aos leigos – destacou o papa –, deixando de considerá-los como 'colaboradores' do clero para reconhecê-los realmente como 'corresponsáveis' pelo ser e pelo agir da Igreja, favorecendo a consolidação de um laicado maduro e comprometido".

Daí a necessidade de uma formação mais atenta à visão da Igreja, uma melhor presença pastoral e a promoção da corresponsabilidade dos membros do Povo de Deus, sem diminuir o papel desempenhado pelos párocos.

Também é importante cuidar da liturgia da Eucaristia, da qual deriva a comunhão. De fato, disse o papa, devemos sempre aprender a proteger a unidade da Igreja de rivalidades, de contendas e de invejas que possam nascer nas e entre as comunidades eclesiais. "O crescimento espiritual e apostólico da comunidade leva a promover o seu alargamento através de uma convicta ação missionária", disse o papa. "Empenhem-se, portanto, para reavivar em cada paróquia, como nos tempos da Missão Cidadã, os pequenos grupos ou centros de escuta de fiéis que anunciam Cristo e a sua Palavra, lugares onde seja possível experimentar a fé, exercer a caridade, organizar a esperança".

Essa articulação das grandes paróquias urbanas através da multiplicação de pequenas comunidades permite um respiro missionário mais amplo, que leva em conta a densidade da população, da sua fisionomia social e cultural, muitas vezes altamente diversificada. O papa, assim, destacou a importância de utilizar esse método pastoral nos locais de trabalho. "Quando perguntados para explicar o sucesso do cristianismo dos primeiros séculos, a ascensão de uma suposta seita judaica na religião do Império, os historiadores respondem que foi particularmente a experiência da caridade dos cristãos que convenceu o mundo. Por isso, viver a caridade é a principal forma da missionariedade". Para os participantes do congresso organizado na França sobre a "corresponsabilidade", a nova eclesiologia começa com o batismo. E "a primavera de um novo cristianismo, mais aberto, mais dinâmico, mais utópico, parece estar mais perto".

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