Ativistas pedem que empresa não participe da destruição do Tapajós

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Cesar Sanson | 31 Março 2016

Dois representantes do povo Munduruku viajaram à Áustria para se manifestar ao lado de ativistas do Greenpeace contra empresa que pretende participar da construção de uma gigantesca hidrelétrica no rio Tapajós, no Pará.

A reportagem é publicada por Greenpeace, 30-03-2016. 

A réplica de uma barragem foi erguida na manhã de hoje em frente ao Congresso da cidade de Graz, na Áustria, onde acontece a reunião anual da Andritz, uma das maiores empresas fabricantes de equipamentos hidrelétricos. Junto com 50 ativistas de diversos países europeus, o cacique-geral Arnaldo Kabá e Rozeninho Saw, representantes do povo Munduruku, seguraram faixas com a mensagem: “Andritz, não mate o rio Tapajós”.

A manifestação é uma resposta ao interesse da empresa em participar da construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, no Pará. Caso viabilizada, a obra trará impactos irreversíveis para a biodiversidade da região e para o povo Munduruku, que depende do rio para sobreviver.

Para erguer a barragem no Tapajós, quase 400 km² de florestas teriam que ser derrubados. Animais como a onça, o boto cor-de-rosa e centenas de peixes e aves estariam em perigo, sem falar nas espécies já ameaçadas, e outras que são endêmicas da região (apenas encontradas ali). Especialistas consideram o local onde a hidrelétrica está prevista de biodiversidade excepcional até para padrões amazônicos.

“Nós viemos à Áustria para exigir que a Andritz respeite os direitos humanos. Nenhuma empresa deveria participar de projetos que podem destruir nossas terras e nossas florestas”, disse Arnaldo Kaba Munduruku, cacique-geral do povo. Se a hidrelétrica se tornar realidade, parte do território dos Munduruku, que vivem às margens do Tapajós há gerações, será alagado e eles também perderiam o acesso a lagos e ilhas, importantes locais de pesca.

“Se a Andritz participar desse projeto ela será uma das responsáveis pela destruição que ele vai causar no rio Tapajós, afetando uma parte importantíssima da floresta amazônica e prejudicando brutalmente os povos que vivem ali. A empresa precisa estar ao lado das pessoas e do Planeta, em vez de contribuir para repetir mais um desastre ambiental, social e econômico após Belo Monte. Ainda dá tempo de decidir de qual lado se posicionar. A escolha deve ser pela vida, e não pela destruição”, afirma Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do Greenpeace.

Essa não é a primeira vez que a Andritz está sendo criticada por seu envolvimento em empreendimentos ambientalmente nocivos. A hidrelétrica de Belo monte, marcada por denúncias de corrupção na Operação Lava-Jato, é apenas um desses exemplos. A obra deixou um rastro de destruição e caos em Altamira, no Pará, onde foi instalada. Na Turquia, a empresa esteve envolvida na construção da polêmica hidrelétrica de Ilisu, no rio Tigre. Foi ela quem assumiu o contrato de outras empresas depois que bancos e empresas se retiraram do projeto devido às catastróficas consequências ambientais e sociais.