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Por: André | 11 Agosto 2015

A recente viagem do Papa Francisco à América do Sul representou um giro importante. Trata-se do início de uma segunda etapa, na qual deixa claro o vínculo existente entre seus discursos e linhas teológico-pastorais e o enfoque proposto pela chamada Teologia do Povo ou Teologia da Cultura. A partir do estudo deste ramo da teologia latino-americana, que surge no contexto sócio-histórico da recepção do Concílio Vaticano II na América Latina, podemos compreender que aquilo que Francisco propõe não é uma mera mudança de enfoque na pastoral eclesial, assim como também não é uma simples mudança na linguagem ou uma atualização das formas religiosas existentes, mas a revisão de um modo de ser Igreja que reconhece os graves efeitos da crise estrutural que vive e se propõe a retomar o caminho traçado pelo Concílio Vaticano II.

O artigo é de Rafael Luciani, doutor e professor de Teologia, e publicada por El Universal, 08-08-2015. A tradução é de André Langer.

Este novo modo de ser da Igreja assume um caráter profético, entendendo a ação pastoral a partir da nossa inserção na realidade do pobre e a aceitação dos valores que brotam destes setores populares. Trata-se de um novo modo de ser Igreja a partir da opção preferencial por essa parte do povo que são os pobres, a periferia, e o impacto que eles têm para gerar processos de conversão em todos aqueles que levam a sua vida na instituição eclesiástica e na sociedade em geral. Não cabe, pois, a postura daqueles que “vivem e refletem a partir da comodidade de um desenvolvimento e de uma qualidade de vida que não está ao alcance da maioria da população mundial” (Laudato si’, 49). Esta falta de conexão com a realidade ajuda “a cauterizar a consciência” (LS 49).

A Teologia do Povo é um ramo da teologia latino-americana da libertação que foi desenvolvida na Argentina pelos teólogos Lucio Gera e Rafael Tello. No entanto, suas origens remontam a 1966, quando se cria a Coepal (Comissão Episcopal de Pastoral), que cunha o termo “povo” entendido como “a existência de uma cultura comum, enraizada em uma história comum e comprometida com o bem comum”.

Esta Teologia não busca a mudança das estruturas sociais e políticas por si mesmas, mas o discernimento da missão e a identidade da instituição eclesiástica a partir da sua opção pelo povo pobre, expressada em um firme discurso religioso que impulsione o diálogo sociopolítico e promova uma práxis pastoral informada pela justiça social como valor desse “povo fiel” que quer ser seguidor da prática de Jesus (Sebastián Politi, Teología del Pueblo).

Esta opção teológico-pastoral não parte da análise das condições econômicas e sociopolíticas para interpretá-las à luz do método marxista, mas da conexão real com o povo e o estudo de sua cultura ou ethos comum, e aposta na promoção integral do sujeito humano, no fomento do diálogo sociopolítico e na prática da justiça social.

O desafio deixado por Francisco em sua recente viagem à América do Sul é, pois, o de repensar uma Igreja que é chamada a “optar pelo povo pobre” e “a se afastar das tentações de propostas mais próximas a ditaduras, ideologias e sectarismos” (Quito, 07-07-2015).

Uma Igreja que deve se afastar dos “elitismos socioeconômicos e das desconexões com o real”, e que, como disse repetidas vezes, “desmonte o clericalismo e o carreirismo eclesial” que reina na mente de tantos clérigos que só pensam em ser bispos e chegar a postos de poder, pelo simples fato de serem ministros ordenados. Nas palavras de Francisco, “estes são sinais de uma fé que não é fiel ao Evangelho” e que “necessita sair de si”.

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