A Igreja abre as portas de nove paróquias de Potosí para a greve de fome

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Por: André | 27 Julho 2015

O já prolongado conflito entre o governo e Potosí intensificou-se. A Igreja católica da região decidiu abrir as portas das paróquias de Villa Imperial para a instalação de comitês de greve de fome, pela libertação de mais de 50 pessoas presas e pelo imediato início do diálogo com o Presidente Evo Morales.

A reportagem é publicada por Eju, 23-07-2015. A tradução é de André Langer.

“Vocês sabem que a Igreja é o povo e o povo é a Igreja. Nós temos as paróquias, que vão ser abertas nesta medida extrema. Eu creio que sobre esta questão, queremos exigir que o governo se abra o mais rápido possível ao diálogo”, disse dom Ricardo Centellas, bispo de Potosí.

Em uma coletiva de imprensa, Centellas qualificou de inadmissível o fato de que a greve indefinida de organizações sociais que reivindicam projetos de desenvolvimento regional tenha entrado no 19º sem que se vislumbre uma solução. “É inadmissível que isso não seja resolvido em um Estado de Direito”, disse o bispo.

Nesse marco, informou que a Igreja aceitou abrir as portas de várias paróquias para a instalação de comitês de greve de fome. “Estamos conscientes de que as famílias, as pessoas que participam do bloqueio, das greves de fome, estão sofrendo. Todos sofremos e estamos experimentando as consequências desta medida extrema”.

A autoridade eclesial anunciou que, diante da solicitação do Comcipo (Comitê Cívico Potosinista) para massificar as medidas de pressão com a greve de fome, serão abertas as portas de nove paróquias: São Bento, São Martinho, Mercedes, São Roque, Conceição, Santíssima Trindade, São Sebastião e Jesus de Nazaré.

“Vamos continuar exigindo do Governo de maneira especial que se abra o mais rápido possível ao diálogo. Agora, toma-se essa medida em Potosí pedindo a libertação de nossos concidadãos, dos nossos compatriotas que estão em La Paz, que são mais de 50, estes têm que ser libertados o mais rápido possível, mas fundamentalmente queremos que haja uma mesa de negociação. Não se pode construir uma sociedade, um povo, não se pode lutar pela dignidade das pessoas e do povo colocando barreiras para o encontro fraterno, para o encontro sincero. Creio que o Papa Francisco mais de uma vez nos disse ‘diálogo, construam pontes e caminhos para se encontrarem’”.