O papa decidiu: crucifixo de foice e martelo vai ficar em Roma

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14 Julho 2015

O papa parte novamente para Roma com o crucifixo do padre Luis Espinal na mala. A famosa cruz de madeira em forma de foice e martelo, motivo de muitas perplexidades entre os bispos bolivianos, está destinada a permanecer no Vaticano. Há alguns dias, quando Evo Morales a tinha dado a Francisco, junto com o colar do Condor, a mais alta honraria do país, e junto com uma segunda honraria com um medalhão que reproduzia justamente a cruz de Espinal com a foice e o martelo, logo se levantara um coro de resmungos.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 13-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele tinha sido julgado pelos bispos bolivianos como um presente provocatório. Algumas horas antes de deixar a Bolívia para ir ao Paraguai, Bergoglio havia ido rezar em um santuário mariano de Santa Cruz. Diante da Virgem de Copacabana, padroeira dos Andes, ele tinha deposto aos seus pés as duas honrarias, acompanhando o gesto com estas palavras: "O senhor presidente Morales, em um gesto caloroso, teve a delicadeza de me oferecer duas condecorações em nome do povo boliviano. Agradeço o carinho do povo boliviano e agradeço essa fineza, essa delicadeza do senhor presidente. Gostaria de deixar essas duas condecorações à Padroeira da Bolívia, à Mãe desta nobre nação, para que ela sempre se lembre do seu povo e também da Bolívia, no santuário onde gostaria que estivessem, e que se lembre do sucessor de Pedro e de toda a Igreja, e cuide da Bolívia". O crucifixo de madeira, no entanto, estava na mala.

A opinião do jesuíta

O jesuíta Xavier Albó, boliviano, esclareceu de uma vez por todas que a cruz em forma de foice e martelo que pertencia ao padre Espinal (morto em 1980 pelos esquadrões da morte por ter denunciado os abusos da ditadura) não é um símbolo marxista. Não era considerada por Espinal como "um símbolo ideológico do comunismo, mas era apenas um modo para buscar o diálogo com os cristãos do movimento operário. Dizer que Espinal era comunista é uma mentira. Eu o nego totalmente. Não é verdade", disse ele em uma entrevista à rádio Patria Nueva.