Relatório do IPCC desqualifica 'desaceleração do aquecimento'

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28 Setembro 2013

Não foi por acaso que os experts do IPCC acentuaram o caráter histórico das mudanças climáticas no relatório publicado ontem. Ao enfatizar os dados "paleoclimáticos", ressaltando recordes que datam de décadas, séculos e milênios, cientistas e delegados nacionais tornaram clara a tendência ao aquecimento global e desmontaram as críticas sobre os últimos 15 anos de estatísticas, que apontaram um momento de desaceleração do aumento da temperatura média da Terra.

O comentário é de Andrei Netto e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, 28-09-2013.

No seu relatório, o IPCC decidiu manter o ponto mais polêmico, que fazia a menção à suposta "desaceleração" do aquecimento entre os anos de 1998 e 2012. Depois das negociações, o artigo que fazia referência ao assunto foi modificado, incluindo ponderações sobre a irrelevância científica de projeções de curto prazo e elencando respostas possíveis para a "desaceleração", como a ocorrência de El Niño, o fenômeno que resulta no aquecimento das águas do Oceano Pacífico.

Ao final, o trecho foi mexido. "Além do robusto aquecimento de várias décadas, a média global de temperatura na superfície exibe uma variação substancial interanual e a cada cinco décadas. Em razão da variação natural, tendências baseadas em apenas seis registros são muito sensíveis às datas de início e fim e em geral não refletem tendências de longo termo", diz o texto final, que ressalta ainda que, se a sequência de 15 anos for medida a partir de 1995, 1996 ou 1997, o aumento da temperatura média da Terra no período seria de 0,13ºC, 0,14ºC e 0,07ºC por década, respectivamente, o que também desconstrói os argumentos dos "negacionistas".

A estratégia do IPCC foi confirmada pelo número 2 do organismo, Jean-Pascal van Ypersele. "Havia mais artigos, mais informação científica que remontava ainda mais longe na história. Foi útil colocar em perspectiva os dados dos últimos 150 anos e o que vai se passar no futuro", disse van Ypersele. "Quinze anos é a metade do período clássico que usamos para definir o clima. Não faz sentido fazer análises nesse período tão curto, até porque ninguém nunca afirmou que não há flutuações na temperatura em períodos curtos."