19 Agosto 2013
As freiras Lucinda Moretti, 70 anos, e Adelaide Furlanetto, 77 anos, morreram na tarde do dia 16-08-2013, em Juti, Mato Grosso do Sul, vítimas de trânsito. O acidente aconteceu por volta das 14h20, na BR 163, a três quilômetros do perímetro urbano da cidade, sentido Naviraí, quando uma caminhonete Ranger se chocou com o Gol que estavam as religiosas. Com o impacto o automóvel parou a mais de 30 metros do local da colisão.
A informação é publicada pelo jornal Folha de Dourados, 17-08-2013.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, a Ranger XLS, de cor prata, com placa NSB 2691, de Campo Grande, conduzida por Vladimir Pereira Farias de 39 anos, morador em Campo Grande, vinha de Naviraí, sentido Capital, quando colidiu com o Gol de cor branca, placa HRI 8401, que era conduzido pela freira Adelaide, que levava como carona a outra freira Lucinda, quando aconteceu a colisão. Elas morreram no local.
Segundo o motorista da Ranger, que nada sofreu, o veículo das freiras atravessou a pista para entrar em uma estrada vicinal que da acesso a chácara São José. “Eu estava dirigindo numa boa quando de repente o gol atravessou a pista e entrou na minha frente sem dar nenhum sinal. Acho que a motorista não me viu, tentei frear, mas nada pude fazer”, disse o motorista.
As freiras Lucinda e Adelaide faziam parte da Congregação Irmãs de São José de Chambéry (ISJ). Lucinda Moretti morarava em Caarapó e prestava serviços na aldeia Te' yikue e também em Juti, enquanto Adelaide Furlanetto fazia parte da paróquia Santa Luzia de Juti.
Os corpos foram necropsiados no IML de Dourados e após liberados para o velório em Juti, onde às 9h, da manhã deste sábado, 17/08, ocorreu a missa de despedida.
Irmã Lucinda é natural de Feliz e Adelaide de Garibaldi. Os corpos deverão ser transladados para Garibaldi, onde ocorrerá o velório. Segundo a Irmã Sueli, do Mosteiro de São José de Garibaldi, os corpos deverão chegar, provavelmente no domingo,18/08, a Garibaldi, e o sepultamento deverá ocorrer à tarde, em horário a ser confirmado. Ela também informou, que a pedido dos familiares da Irmã Lucinda, existe a possibilidade do seu corpo ser sepultado no cemitério de uma capela no interior de Feliz, enquanto, que Adelaide será sepultada no jazigo das Irmãs de São José, no Cemitério Público Municipal de Garibaldi.
Conforme ela, o povo que era auxiliado pelas religiosas oferecem as últimas homenagens neste sábado, 17/08, e depois vai ocorrer o translado. Ela diz que uma comitiva do assentamento onde elas viviam deverá acompanhar o translado e vem participar da cerimônia de sepultamento.
As irmãs eram muitos queridas pelas famílias assentadas da reforma agrária. Elas moravam nesses assentamentos auxiliando as mulheres e as crianças. Viviam de modo humilde, levando o carisma da ordem, espiritualidade e lutando por melhores condições de vida. Na Pastoral da Terra, elas desenvolviam projetos voltados a educação ambiental, de forma participativa, incentivando a conservação de espécies existentes na área do assentamento, além de ensinar a multimistura rica em vitaminas para fortalecer a imunidade das crianças e adultos.
A professora aposentada Celita Beal ficou triste ao saber da morte da Irmã Adelaide e ligou para a Rádio Garibaldi para comentar das lembranças da religiosa. “Adelaide era muito carinhosa, paciente e atuou, por muito anos, na UGEAS que administrava, na época, a Escola São José com o antigo ensino do segundo grau”, lembra Celita.
A jornalista Denise Furlanetto da Campo que é sobrinha de Adelaide diz que a tia era uma pessoa maravilhosa, sempre disposta a ajudar os outros. “Todos os anos, no dia de São José ela não falhava, ligava para a casa de meus pais para levar ao meu pai, José, com quem tinha muita ligação, as bençãos do santo. E mesmo após a morte dele, ela continuou com esse gesto. Era sagrado o contato dela no dia 19 de março de cada ano”, comenta Denise.