Papa nomeia prelado de sua confiança ao Banco do Vaticano

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17 Junho 2013

Primeira intervenção do Papa Francisco no Instituto para as Obras de Religião (IOR): com a sua aprovação – normalmente não necessária para esse tipo de nomeação – a comissão cardinalícia que supervisiona o IOR nomeou Dom Battista Mario Salvatore Ricca como "prelado" do "Banco do Vaticano" ad interim.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 15-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Natural de Bréscia, nascido em 1956, membro do serviço diplomático, atuando na primeira seção da Secretaria de Estado, Ricca é o diretor da Casa Santa Marta, a residência onde o papa está hospedado. E nestes primeiros meses do seu pontificado ele esteve muito perto de Bergoglio, que parece ser o verdadeiro artífice dessa decisão.

O cargo de "prelado" do IOR, previsto pelo Estatuto, estava vago desde 2010, quando Dom Piero Pioppo, ex-secretário particular do cardeal Angelo Sodano e por ele nomeado para o "Banco do Vaticano", que estava prestes a sair da Secretaria de Estado, foi promovido a núncio para os Camarões.

Em 2012, os inspetores do Moneyval haviam escrito no seu relatório que souberam em suas conversas no Vaticano que um novo prelado já havia sido nomeado. Mas, na realidade, nada se soube dessa nomeação, apesar dos rumores que davam como o favorito para esse posto o prelado lombardo Luigi Mistò, atual secretário da Administração do Patrimônio da Santa Sé (APSA).

Segundo o estatuto do IOR, o prelado, nomeado pela Comissão Cardinalícia, "acompanha as atividades do Instituto, com a possibilidade de acessar as atas e os documentos do próprio Instituto" e, portanto, pode começar a supervisionar tudo. Além disso, "participa, na qualidade de secretário, nas reuniões da Comissão Cardinalícia, que prevê a verbalização" e também participa das reuniões do Conselho de Superintendência, isto é, às reuniões do conselho dos leigos. Ele pode submeter as suas observações aos cardeais da Comissão e dispõe de um escritório dentro do IOR.

No comunicado do diretor da Sala de Imprensa, padre Federico Lombardi, especifica-se que a nomeação ocorreu "com a aprovação" do papa. Um detalhe não secundário que indica quem está decidindo efetivamente. O fato de que se trata de uma designação ad interim poderia significar que, no futuro, estão previstas reformas e reestruturações do "Banco do Vaticano" ou, mais simplesmente, que, com essa fórmula, pode-se agir mais rapidamente.

A nomeação de urgência de um prelado que goza da estima e confiança pessoais de Francisco torna evidente que nem tudo estava tão pacífico nas salas da Torre do IOR, apesar da cascata de entrevistas tranquilizadoras que o atual presidente Ernst von Freyberg e o diretor-geral, Paolo Cipriani, concederam, afirmando que o "Banco do Vaticano" é essencial para a vida e a liberdade da Igreja, que os clientes estão satisfeitos, que não existem contas secretas e que tudo é transparente.