Esquerda ou direita? Quem realmente é o Papa Francisco?

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25 Mai 2013

Falar com desprezo de progressistas é um rótulo cômodo que não reflete a realidade. Assim como dizer que a teologia da libertação é marxista, sem entrar no mérito dos seus autores e das respectivas elaborações, que são muito diferentes.

O artigo é do cientista político Christian Albini, membro da Associação Teológica Italiana, publicado no blog Sperare per Tutti, 21-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o artigo.

Bergoglio é direita ou esquerda? Entre os comentários e reflexões sobre a pessoa do Papa Francisco, os mais desconcertantes – até mesmo por parte de assinaturas conhecidas do jornalismo católico – são os que tentam demonstrar que ele é tudo menos progressista.

Parece que há pessoas ligadas a velhos esquemas de 50 anos atrás, cuja maior preocupação é a polêmica com relação a outros cristãos, hostilizados como se fossem um inimigo a ser eliminado. Querer julgar a fé dos outros é uma contradição flagrante com a fraternidade. É um dos fatos que tornaram pesado o ar eclesial nos últimos anos. O mais importante, segundo essa mentalidade, não é o Evangelho, mas sim fazer prevalecer o próprio lado.

Falar com desprezo de progressistas é um rótulo cômodo que não reflete a realidade. Assim como dizer que a teologia da libertação é marxista, sem entrar no mérito dos seus autores e das respectivas elaborações, que são muito diferentes.

O Papa Bergoglio fala muitas vezes do diabo e da devoção a Maria, e, portanto, há aqueles que tentam "alistá-lo", passando por cima das suas outras palavras. É uma linguagem que não me pertence, mas nem por isso vejo Francisco como expoente de um "lado adverso". O que mais conta – e que, em todos os tempos, chama a Igreja a reforma contínua – é o anúncio da misericórdia de Deus e do seu porte perturbador com relação aos nossos esquemas e ao nosso modo de viver.

Cremos no amor? Cremos no amor de Deus e entre as pessoas (que, além disso, não são coisas distintas)? É isso, e não outra coisa, que faz a diferença. É essa, e não outra coisa, a base a partir da qual partir, porque é a boa notícia de Jesus de Nazaré.

É o anúncio que Francisco põe em primeiro plano e que está sacudindo muitos, dentro e fora da Igreja Católica. Caso contrário, permanecemos ligados a imagens e linguagens do catolicismo de uma outra época, como se fossem o todo e não uma parte. A verdade do amor leva a não absolutizar formas e fórmulas, atualizando o patrimônio da tradição cristã, a sair de estruturas e de hábitos enrijecidos demais.

Evocar uma Igreja pobre que sai de si mesma para ir às "periferias existenciais", vivendo uma cultura do encontro, é falar a linguagem do amor.

Certamente, deve fazer refletir o fato de que esse abalo só pode vir da pessoa do papa, e não de outros componentes do povo de Deus. É um efeito da hipertrofia do ministério petrino no corpo da Igreja, que se produziu na nossa época. Resulta daí um obstáculo à comunhão e à ação do Espírito.

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