Ex-ditador guatemalteco Ríos Montt é condenado por genocídio

Mais Lidos

  • Para a pesquisadora, o design das plataformas deixou de ser apenas uma escolha estética de interface e se tornou o principal ator tecnopolítico das Big Techs, moldando o comportamento dos usuários e impactando diretamente o debate democrático

    Economia da atenção: o design algorítmico a serviço da estetização da política. Entrevista especial com Anna Bentes

    LER MAIS
  • Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove evento em memória ao centenário do agrônomo e ambientalista brasileiro nesta quinta-feira, 20-08-2026, às 17h30min

    José Lutzenberger, 100 anos. Da Borregaard às enchentes: os alertas ignorados

    LER MAIS
  • Qual é o pior momento do ateu? Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

11 Mai 2013

O ex-ditador guatemalteco Efraín Ríos Montt foi condenado nesta sexta-feira (10/05) a 50 anos de prisão por genocídio, após ordenar nos anos 80 violações, torturas e incêndios cometidos por soldados contra indígenas Ixil. É a primeira vez que o judiciário submete um ex-mandatário local a um processo desse tipo. O Diretor de Inteligência, José Maurício Sanchéz, no entanto, foi absolvido e não ficou comprovado de que ele teve qualquer responsabilidade nas mortes.

A informação é publicada por Opera Mundi, 10-05-2013.

Centenas de familiares de vítimas e sobreviventes Ixil, além de representantes de organizações de direitos humanos, foram ao tribunal testemunhar o julgamento histórico e aplaudiram a sentença. De acordo com o site espanhol Periodismo Humano, as pessoas presentes gritaram "justiça!" assim que a sentença foi anunciada.

Por alguns minutos o ex-ditador ficou retido na sala pela juiza Yasmin Barrios, pela falta de polícias que o levassem à prisão para começar a cumprir a pena. O tribunal penal da Guatemala revogou o benefício da prisão domiciliar ao ex-ditador. Logo após o anúncio, advogados de Ríos Montt tentaram sair com o cliente por uma das portas do local.

Os promotores do caso pediam 75 anos de prisão a Ríos Montt, que governou por um curto, mas violento período de tempo. Cerca de 100 pessoas testemunharam no julgamento - que foi suspenso no final de abril - e contaram histórias de horror do assassinato em massa contra homens, mulheres e crianças por soldados, especialmente no início de 1980. O militar, de 86 anos, declarou-se inocente, argumentando que não ordenou genocídio contra qualquer grupo na Guatemala, onde a maioria da população é indígena.

"Diante de massacres, torturas, violação e translado de crianças, estamos totalmente convencidos da intenção de acabar com o grupo indígena Ixil", afirmou Barrios antes de pronunciar a sentença."O então chefe de Estado e do comando militar do Exército da Guatemala, Efraín Ríos Montt, tinha ciência de tudo o que acontecia e do planejamento das ações. Ele teve conhecimento de tudo que estava acontecendo e não impediu. Seria ilógico pensar que o chefe de estado desconhecesse o que estava acontecendo nas aldeias", continuou.

Ríos Montt governou a Guatemala em um período particularmente sangrento na longa guerra civil do país centro-americano. Durante décadas, ele se beneficiou de uma lei que concedia imunidade a ocupantes de cargos públicos. Assim que deixou o Congresso, em 2012, a Justiça determinou que o ex-ditador fosse levado a julgamento por causa dos indícios relacionados à morte de mais de 1.700 indígenas num plano contra a insurgência que foi executado sob suas ordens. Estima-se que 200 mil civis tenham morrido na guerra civil guatemalteca (1960-96), que deixou também 45 mil desaparecidos.