Um 'diretor-geral' para a Cúria. Entrevista com Francesco Coccopalmerio

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24 Abril 2013

"Há uma figura muito importante, seria chamado de 'Moderador Curiae Romanae'. É uma figura que se coloca ao lado do secretário de Estado, em estreita união com ele, mas diferente do secretário de Estado...". O cardeal Francesco Coccopalmerio, grande canonista que preside o Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, fala tranquilamente no seu escritório voltado para a Praça de São Pedro. O seu nome é, talvez, o mais citado do outro lado do Tibre quando se fala da reforma da Cúria desejada por Francisco.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 22-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O papa nomeou um "grupo" de cardeais de todo o mundo que se reunirá a partir de outubro para estudar a reforma da Constituição Pastor Bonus sobre a Cúria, mas não começará do zero. Há semanas, fala-se do "esboço Coccopalmerio", conta-se que durante as congregações gerais dos purpurados o seu discurso recebeu um grande consenso: os chefes de dicastério precisam de uma relação direta e frequente com o papa, é preciso mais coordenação entre os "ministérios" e é preciso uma maior eficiência na "governança" curial.

As suas propostas são mais do que simples hipóteses. Como a ideia de uma organização semelhante à que já existe nas diocese maiores: o mesmo Coccopalmerio, quando ele bispo auxiliar do cardeal Carlo Maria Martini, criou o cargo do "Moderador Curiae" na diocese de Milão.

Eis a entrevista.

Eminência, o que seria esse "Moderator"? Uma espécie de diretor-geral?

Algo semelhante, mas atenção: ele não se intromete entre o papa e os dicastérios, absolutamente. Ele é quem faz a Cúria funcionar. Se um dicastério tem uma tarefa particular, por exemplo, é o Moderator que se pergunta quais instrumentos ele precisa, se ele tem pessoal suficientemente qualificado e assim por diante. E para organizar as coisas, como consequência.

O secretário de Estado não manda mais na Cúria?

São papéis diferentes. A Secretaria ajuda mais diretamente o papa, e a figura do secretário de Estado é voltada ao exterior, ocupa-se dos problemas da Igreja universal ao lado do pontífice. A tarefa do Moderator, ao invés, é limitada à Cúria Romana, para que funcione melhor.

Tem-se falado de uma Cúria mais enxuta...

Perguntar-se se devemos reduzir não tem sentido em si só. A pergunta é: de que o papa precisa? Dizer que a Cúria deve ser "simplificada" sem mais é demagógico. Também pode haver setores subdimensionados. O mais racional é perguntar-se como torná-la mais eficiente para um serviço concreto ao papa.

Qual é, essencialmente, o objetivo de uma reforma?

O conceito de fundo é que o papa, para governar a Igreja, deve cumprir uma série de atividades: por exemplo, escolher os bispos, tecer as relações ecumênicas, cuidar dos consagrados, ou da família, ou dos seminários, e assim por diante. O papa tem muitas coisas para fazer e todas diferentes entre si. Ele deve ser ajudado por pessoas competentes e espiritualmente à altura. Portanto, os dicastérios da Cúria nascem para isso.

E então?

Por isso, é essencial que haja uma relação constante entre o pontífice e os dicastérios. O papa deve saber o que cada um está fazendo, dar a sua opinião: está bem, não está bem, pode-se corrigir isto, acrescentar isto. Porque, no momento em que ele diz: "Está bem", ele assume a atividade do dicastério, é o Santo Padre que a realiza através das competências das pessoas que ele indicou.

Com o passar do tempo, caíram as audiências "de tabela" do papa, mas...

Exatamente, é necessário que os chefes de dicastério possam ser recebidos pelo papa até uma vez por mês. Que haja uma relação contínua, além disso, é também a ideia de fundo da própria Constituição Pastor Bonus. Mas não basta isso...

O que mais?

Também é essencial que os chefes de dicastério se encontrem frequentemente entre si, com a presença do papa ou não: para ter uma visão comum do que se está fazendo, coordenar as atividades, em suma, estabelecer um trabalho mais colegial. A Cúria não deve ser uma pedra no sapato, mas deve servir o papa e ajudá-lo a fazer o seu trabalho!

O senhor acenava à possibilidade de um conselho de várias pessoas ao lado do papa...

Sim, se poderia imaginar até mesmo um pequeno grupo de cardeais, além do secretário de Estado, que ajudem e aconselhem o papa. Duas ou três pessoas que, ao contrário do grupo cardinalício recém-nomeado, estejam sempre aqui no Vaticano. Mas isso é algo que se pode fazer ou não...

E o "grupo" de oito cardeais? Ele será ampliado, será permanente?

É o papa quem vai decidir. O grupo expressa a necessidade de que o pontífice esteja em contato e em comunhão com os episcopados das diversas partes do mundo. Poderia se tornar um órgão estável.

A Conferência Episcopal Italiana chegará a eleger o seu próprio presidente, não mais nomeado pelo papa?

Pode ser que sim. Do ponto de vista canônico, não haveria nenhum problema.

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