“O grupo dos cardeais? Uma decisão ‘filha’ do Concílio”

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Por: André | 17 Abril 2013

É legítimo afirmar que a decisão do Papa Francisco, de criar uma comissão estável de cardeais dos cinco continentes para que o ajude no governo da Igreja e na reforma da Cúria Romana, é “filha” do Concílio. A afirmação é do arcebispo Agostino Marchetto, diplomata da Santa Sé e que foi secretário do Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, além de estudioso da história do Concílio Vaticano II.

A entrevista é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 16-04-2013. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

O que significa a decisão do Papa Francisco de nomear um grupo de oito cardeais para que o assessore no governo da Igreja e na reforma da Cúria? Representa uma novidade do ponto de vista histórico?

A decisão do Papa expressa a vontade de proceder “collatis consiliis” em um caminho de renovação eclesial, na fidelidade, que tenha em conta a colegialidade episcopal na expressão de um conselho representativo e qualificado para o governo da Igreja e em vista da consequente reforma da Cúria. É um instrumento para levar a cabo o exercício do primado pontifício em um contexto colegial autêntico e correto. Não diria que se trata de uma novidade absoluta, dada a variedade histórica das relações episcopado-primado pontifício, muito complexa e em constante evolução. Mesmo que com uma certa representatividade continental apresenta uma característica particular.

Os sínodos e consistórios, devido ao elevado número de participantes, não são instrumentos ágeis como poderia sê-lo um grupo tão restrito de pessoas: é um passo rumo a uma colegialidade finalmente “operativa”?

A agilidade da ação poderá ser um dos aspectos positivos com a finalidade de assessorar o Bispo de Roma no governo da Igreja universal e para estudar um projeto de revisão da Constituição apostólica Pastor Bonus sobre a Cúria romana. Você me pergunta se se trata de um passo rumo à colegialidade, finalmente operativa: aqui entramos na questão da colegialidade no sentido estrito, que não é qualquer coisa. Sua “operatividade”, como você disse, efetivamente depende de uma distinção deste tipo, que se deve manter. Além disso, o grupo que acaba de ser formado não é um comitê ou uma comissão ou um conselho, embora se dará a possibilidade de assessorar o Papa por parte de uma parte autorizada do episcopado e do colégio cardinalício em nível universal. Será preciso ver como o Papa vai proceder.

Esta decisão do Papa Francisco é “filha” do Concílio Vaticano II?

Creio que é legítimo dizer que esta decisão do Papa Francisco é, de alguma maneira, “filha” do Concílio Vaticano II.

Com Paulo VI a Secretaria de Estado tornou-se fundamental no governo da Cúria Romana. É um modelo que segue sendo válido?

Creio que a importância da Secretaria de Estado na reforma da Cúria Romana feita por Paulo VI (não se deve esquecer sua experiência do serviço que exerceu nela durante tantos anos) deve permanecer, isto é, como coordenação e direção final, expressão última da vontade do Papa. Isto não significa enfraquecer o papel dos dicastérios. A este respeito, talvez, se teria que buscar um reequilíbrio. Mas se há um respeito efetivo da competência primária de cada um dos dicastérios no objeto da própria “preocupação”, o “modelo” de Paulo VI continua sendo válido.

Qual é o balanço que se poderia fazer do primeiro mês do pontificado de Francisco?

Resumindo, creio que o balanço é positivo, é muito positivo, na minha opinião. A imagem, e isto conta, teve muita aceitação em geral. O Papa conseguiu fazer com que nascesse muita esperança para superar as dificuldades eclesiais atuais e que todos conhecem. A nota que surge é a da espiritualidade e do desejo de enfrentar, em companhia com o episcopado mundial e de toda a Igreja, os desafios da nossa época, na Igreja e no mundo.

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