Parentes de vítimas de confronto pedem 'justiça e terra'

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26 Junho 2012

Parentes dos camponeses mortos no confronto com a polícia no dia 15 - que deixaram 17 mortos e levaram à queda do presidente Fernando Lugo - pedem "justiça e terra". No Paraguai, 80% das terras cultiváveis pertencem a apenas 2% da população.

A reportagem é de Hugo di Zazo e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 26-06-2012.

Martina Paredes, de 33 anos, perdeu dois irmãos na desocupação da fazenda de 2 mil hectares - que é de um rico empresário local. Seus dois irmãos, de 25 e 28 anos, eram boias-frias e ganhavam o equivalente a R$ 405 por mês, trabalhando todos os dias. "Meu pai tem dez hectares. Somos 11 pessoas para viver da lavoura." Ocupações são uma forma de tentar ter sua terra para "ter uma pequena lavoura", diz.

A queda de Lugo, considerado próximo dos pobres, é o fim da esperança de uma reforma agrária?

"De toda forma, ele não tinha apoio no Parlamento para cumprir suas promessas", responde Dario Acosta, agricultor de 50 anos, que, agora, teme as consequências internacionais do impeachment, qualificado de "golpe de Estado" por países vizinhos. "Se houver sanções, quem vai pagar são os pequenos agricultores." No país de 6,5 milhões de habitantes, o setor responde por 25% do PIB, estima Acosta.

Aos 59 anos, Julio Colmán vive bem. Membro do conservador Partido Colorado - no poder no Paraguai por décadas até a chegada de Lugo em 2008 -, ele tem uma rádio, uma padaria e um posto de gasolina em Curuguaty, na zona do conflito. Ex-deputado e vereador, Colmán diz que Lugo "semeou a desordem". Mas admite que a questão é complexa. De um lado, condena o "imperialismo brasileiro", com latifundiários da soja. Do outro, entende que os investimentos trazem riqueza via impostos. Para ele, o Estado tem de comprar terras e vendê-las - e não distribuí-las - aos pobres, no longo prazo, para "torná-los responsáveis".

Francisco Capli, diretor de um instituto de pesquisas, diz que com a queda de Lugo os sem-terra "perderam um aliado estratégico, mas que não resolveu quase nada em quatro anos", principalmente por "falta de apoio".