Itália pune direita e rejeita austeridade

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08 Mai 2012

O eleitorado italiano se juntou ao francês para rejeitar as medidas de austeridade na Europa. Nas eleições municipais, os italianos puniram severamente os partidos que formavam a coalizão do ex-premiê Silvio Berlusconi, impulsionaram a esquerda, mas também votaram como nunca em pequenos partidos que se opõem às medidas de austeridade, ao euro e à política tradicional do país.

A informação é do jornal Valor, 08-05-2012.

Esta foi a primeira eleição após a queda do governo Berlusconi, em novembro do ano passado. A votação, no domingo e na segunda, ocorreu somente em parte do país (20% do eleitorado). Das grandes cidades, apenas Gênova e Palermo foram às urnas.

O recado dos eleitores foi claro. Mesmo sem os dados finais da apuração, o partido do Berlusconi, o PDL (centro-direita) teve seu pior resultado, não passando ao segundo turno na maioria das cidades importantes onde houve eleição. A Liga Norte (partido separatista e xenófobo que participava da coalizão de Berlusconi e está envolvida num amplo escândalo de corrupção) também desabou, perdendo em quase todo os seus bastiões no norte do país.

O Partido Democrático, de centro-esquerda, venceu ou está no segundo turno na maior parte das prefeituras importantes em jogo.

Mas pequenos partidos, que apostaram no discurso anti-austeridade, obtiveram ganhos significativos. O caso mais clamoroso é o do Movimento 5 Estrelas, liderado pelo humorista Beppe Grillo, que chegou a atingir 20% dos votos na cidade de Parma. Grillo faz há anos uma cruzada contra a corrupção e contra os partidos tradicionais do país, tanto de esquerda quanto de direita, apresentando-se como antipolítico. Ele defende a saída da Itália do euro.