Quando a imprensa não é mais "católica"

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20 Julho 2011

A Santa Sé anunciou que a UCIP (União Católica Internacional de Imprensa) não pode mais usar esse adjetivo. O motivo? A grave falta de transparência e de clareza que a associação experimenta há anos.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 19-07-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O comunicado oficial é do dia 17 de julho. Divulgado pela Santa Sé, ele anuncia que a União Católica Internacional de Imprensa (UCIP) não pode mais utilizar o adjetivo "católica" por causa da grave crise de gestão que ela experiência há anos.

O Pontifício Conselho para os Leigos e o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, em um comunicado conjunto, lamentaram a decisão dos atuais gestores da organização, que, sem a devida permissão, adotaram um novo nome que mantém o adjetivo "católica": Organização Católica Internacional dos Meios de Comunicação (ICOM).

A nota , assinada pelos presidentes dos órgãos vaticanos, o cardeal Stanislaw Rylko e o arcebispo Claudio Maria Celli, reconhece que a UCIP, "depois de décadas de valioso serviço para a evangelização através da imprensa, viveu nos últimos anos uma progressiva crise de gestão". "O Pontifício Conselho para os Leigos e o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, com base em seus respectivos âmbitos de competência, acompanharam de perto esse processo, que teve como consequência a invalidação das Assembleias Gerais realizadas em 2007 no Canadá, em 2008 em Roma, e em 2010 em Burkina Faso".

"Em várias ocasiões, a Santa Sé manifestou às autoridades da UCIP a sua perplexidade diante da inaceitável falta de transparência e de clareza na gestão dessa Associação, sob o controle do seu secretário-geral. No último dia 23 de março, esses fatos provocaram a revogação, por parte do Pontifício Conselho para os Leigos, do reconhecimento canônico da UCIP como Associação Católica, através de uma carta formal dirigida a todos os membros, na pessoa do seu presidente".

Os representantes da Santa Sé também informaram que, "como única reação, a Secretaria Geral daquela que até agora havia sido chamada de UCIP, no último dia 28 de abril, informou todos os membros sobre a transformação da UCIP em ICOM (Organização Católica Internacional dos Meios de Comunicação), anunciando a sua primeira assembleia para o mês de novembro de 2011".

"Tal ato foi fortemente desaprovado pelo Pontifício Conselho para os Leigos e pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, que desconhecem essa organização que continua a se vangloriar do título de católica. Além disso, a chamada ICOM se apropriou indevidamente do patrimônio intelectual, econômico e histórico da UCIP, além do logotipo e do website".

"Ambos os Pontifícios Conselhos ratificam a sua gratidão a todos os membros da UCIP, excluídos por causa da recente gestão, pelo bom serviço realizado nos últimos anos e os encorajam a difundir o Evangelho no mundo da comunicação escrita. Ao mesmo tempo, asseguram que estão estudando possíveis novos modos de vínculo associativo a serem propostos aos jornalistas que desejam permanecer em comunhão com a Igreja Católica", conclui o comunicado vaticano.

Por causa da crise vivida pela UCIP nos últimos anos, algumas organizações nacionais de jornalistas católicos haviam se distanciado da instituição. As origens da UCIP remontam a 1927, quando alguns jornalistas franceses, alemães, austríacos e suíços criaram o Escritório Internacional dos Jornalistas Católicos para promover um jornalismo baseado em valores sólidos.

Em 1930, ocorreu em Bruxelas (Bélgica) o primeiro Congresso Mundial da Imprensa Católica, e, em 1936, nasceu em Roma a União Internacional da Imprensa Católica. Depois dos difíceis anos da Segunda Guerra Mundial, a associação retomou suas atividades por ocasião do congresso mundial realizado na capital italiana em 1950. Desde 1966, ano em que foi adotado o nome de UCIP, ela se abriu a todos os profissionais católicos que trabalham no âmbito da informação secular e religiosa.

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