Reino Unido. Sínodo dos leigos pede “revisão radical” do Direito Canônico

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10 Setembro 2021

 

A Igreja necessita de uma minuciosa revisão do Direito Canônico e uma comissão para supervisionar essa revisão que inclua leigos, afirmou uma das principais barristers do Reino Unido, a baronesa Kennedy de The Shaws.

A reportagem é de Sarah Mac Donald, publicada por The Tablet, 09-09-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Falando em um painel sobre o tema, “Insistindo em compartilhar autoridade”, parte do Sínodo Root and Branch (Sínodo da Raíz aos Ramos, em tradução livre. É um sínodo organizado por Leigos no Reino Unido), a advogada escocesa, locutora e membro trabalhista da Câmara dos Lordes disse que uma revisão radical da lei canônica deveria ser um “pedido-chave” do sínodo.

Ela disse que uma comissão para supervisionar a reforma deveria “sistematicamente examinar as estruturas da lei canônica e torná-las adequadas ao século XXI” e deveria ser pública enquanto ouvia as evidências.

Descrevendo-se como “uma crente firme na reforma”, ela disse: “Eu realmente sinto que temos que persuadir a liderança atual [na Igreja] de que eles devem ceder o poder para sobreviver”.

Em outra parte da discussão, a baronesa Kennedy pediu o fim do celibato clerical obrigatório. “Eu sinto fortemente que vocês devem abandonar o celibato”. Ela falou à discussão online que o celibato clerical tinha sido “uma das raízes dos problemas em muitas das questões sobre as quais estamos falando” e precisava ser tratado “em primeiro lugar”.

“As pessoas são seres sexuais. Alguns podem escolher ser celibatários, e assim sejam. Mas deve haver a possibilidade de seguir uma vocação mesmo se você for uma pessoa casada, homem ou mulher”.

Ela também pediu à Igreja que lide com sua “hostilidade à homossexualidade”.

Ela disse: “Temos que deixar de ser tão preocupados e fetichistas com o sexo dentro da Igreja e começar a nos preocupar com o sofrimento do mundo”.

“Nosso conhecimento da humanidade se desenvolveu e a ciência nos ajudou a entender a sexualidade muito melhor”, continuou.

Relembrando a aprovação do referendo do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Irlanda em 2015, a Baronesa Kennedy disse que, apesar de a Igreja ter desempenhado um papel tão dominante em termos de poder e autoridade, o povo irlandês votou por maioria no casamento gay. “Foi porque avôs, avós, mães e pais católicos disseram ‘por que nosso filho não teria o mesmo direito de estar com a pessoa que amamos como nosso outro filho?’”.

Ela acreditava que existem “tantas coisas boas nos ensinamentos da Igreja” que lhe deram um sistema de valores.

“A hierarquia tem que ser persuadida de que esta [reforma] é sobre sustentabilidade. A Igreja Católica não sobreviverá se não resolver essas questões, porque os jovens simplesmente não vão se engajar”.

Referindo-se à Declaração Universal dos Direitos Humanos e à necessidade de um modelo global de valores contra os quais todo sistema jurídico deve ser medido, incluindo o direito canônico, ela perguntou: “Por que a Igreja Católica não o adotou de forma adequada, especialmente no que diz respeito ao devido processo legal, a ideia de acesso à justiça – onde estava o acesso à justiça para as muitas vítimas de abuso sexual dentro da Igreja?”.

Ela disse que as falhas da Igreja em relação a abusos e a transferência de local de pessoas que cometeram crimes foi uma das razões pelas quais tantas pessoas estão agora alienadas da Igreja.

“Eles não veem a Igreja Católica aderindo a todo esse arcabouço de direitos humanos, estado de direito e respeito pelo devido processo, acesso à justiça e o tratamento das pessoas como iguais perante a lei”.

Ela também criticou a vontade da Igreja de acomodar o desejo do primeiro-ministro Boris Johnson de se casar em uma Igreja Católica, que ela havia criado com o cardeal Nichols.

“As pessoas ficaram muito angustiadas e, diria, desiludidas quando viram a facilidade com que o primeiro-ministro, que não é conhecido pela sobriedade nas relações com as mulheres, conseguiu casar-se na Igreja Católica, apesar do fato de ser divorciado duas vezes”.

Relembrando uma conversa que teve com um motorista de táxi em Glasgow, cujo casamento deu errado e que se casou novamente com uma católica, ele contou-lhe sobre sua dor por não poder receber a comunhão e por se sentir excomungado.

“Estas são as coisas que marcam tanto a Igreja, e todas as pessoas que ainda se consideram católicas, e que querem poder fazer os sacramentos, ser participantes, pertencer a esta família. E, no entanto, eles não são capazes de fazer isso”.

Ela disse ao cardeal: “A estratégia de comunicação de vocês em dizer que todos são iguais perante o direito canônico não está funcionando. Vocês precisam fazer algo sobre isso”.

A discussão na quarta-feira foi presidida por Virginia Saldanha, secretária-executiva da Mesa Feminina da Federação das Conferências Episcopais da Ásia.

Também contribuíram Luca Badini Confalonieri, diretor-executivo do Wijngaards Institute, e a escritora Christina Rees, membro do Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra.

 

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