4º Encontro dos Movimentos Populares deseja trabalhar por um “mundo mais justo” em meio à pandemia

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09 Julho 2021

 

Um dos projetos mais caros ao Papa Francisco é realizar a primeira parte da quarta edição do evento nesta sexta-feira, antes de continuá-la em setembro.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada em Crux, 08-07-2021. A tradução é de Anne Ledur Machado.

O 4º Encontro Mundial dos Movimentos Populares reunirá ativistas das comunidades mais marginalizadas da sociedade no exemplo mais visível do “popularismo” que o pontífice propôs para conter o populismo que tem varrido muitas nações ao redor do mundo.

Uma reunião preparatória ocorrerá no Vaticano nesta sexta-feira – via Zoom, devido à pandemia – promovida pelo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.

O escritório vaticano disse que o encontro é uma resposta ao “convite de Francisco para que as comunidades pobres e organizadas não se resignem e se tornem protagonistas do processo de mudança”.

O Encontro Mundial dos Movimentos Populares – o primeiro deles foi realizado no Vaticano em 2014 – promove os movimentos e organizações populares que se unem para lutar “bravamente mas sem arrogância, com determinação mas sem violência, pela dignidade humana, pela natureza e pela justiça social”.

Entre os participantes do encontro está Gloria Morales, que chegou aos Estados Unidos vinda do México como imigrante ilegal aos 16 anos. Atualmente cidadã estadunidense, ela trabalha na Rede Pico, uma rede de justiça social com base na fé.

“Realizar o encontro mundial dos movimentos populares, especialmente em meio à crise da Covid-19, é muito importante, pois dá a oportunidade de as pessoas se reunirem, pensarem e chegarem a conclusões sobre como os diferentes movimentos populares enfrentaram a situação”, disse ela ao Crux por telefone nessa quarta-feira. “Como disse o Papa Francisco, ou saímos melhores ou piores.”

Ela disse esperar que o resultado do encontro seja um documento sobre o direito ao acesso à terra, ao trabalho e ao teto, que será entregue ao Papa Francisco.

“O que podemos fazer para que as comunidades mais necessitadas e abandonadas também tenham a chance de prosperar na vida?”, disse Morales.

Embora os críticos tenham acusado o “popularismo” promovido pelo Encontro Mundial dos Movimentos Populares de ser simplesmente uma versão socialista do populismo, Morales disse que não se trata de socialismo, mas de fazer as coisas certas.

Ela disse que, quando as ajudas são direcionadas para socorrer os pobres, esse dinheiro deveria chegar aos pobres, em vez de ficar nos bolsos de algumas poucas pessoas. Quando as mercadorias são exportadas, as pessoas que realmente as produziram deveriam ganhar o dinheiro suficiente para sobreviver.

“Em muitos casos, as pessoas não têm a oportunidade de trabalhar em suas próprias terras, porque não há nenhum benefício econômico em fazer isso”, disse ela, acrescentando que, em muitos lugares, incluindo o México, os trabalhadores também têm de levar em conta o impacto do crime organizado.

O fato de os movimentos de base estarem se reunindo com o apoio do Vaticano, disse Morales, significa que “eu não sou a única pessoa que acha que uma distribuição mais justa da riqueza é possível. E, pelo fato de eu me inspirar na minha fé em relação a isso, ter o apoio do Santo Padre significa muito para mim”.

Depois do primeiro encontro em 2014, o segundo ocorreu no ano seguinte na Bolívia, com a participação de Francisco e um discurso comovente que costuma ser referido como uma “miniencíclica social”.

Durante esse discurso, o pontífice atribuiu aos movimentos populares três grandes tarefas: colocar a economia a serviço do povo, unir os povos no caminho da paz e da justiça, e defender a Mãe Terra.

O terceiro encontro mundial ocorreu no Vaticano em 2016.

O quarto encontro discutirá o impacto da Covid sobre as pessoas mais excluídas e outros dilemas que a humanidade enfrenta hoje.

“Fico muito emocionada em saber que uma pessoa como o Papa Francisco está nos apoiando, nos dando cobertura, porque isso cria ainda mais compromisso de cada um de nós em ajudar o outro”, disse Morales.

Tendo visto “muitas oportunidades passarem por mim”, por não ter seus papéis em ordem, hoje ela se sente motivada a ajudar os mais de 11 milhões de pessoas nos Estados Unidos que “vieram para cá para construir uma vida melhor”, mas não podem fazer isso porque são “ilegais”.

“Não é justo criminalizá-los pelo fato de quererem uma vida melhor para seus filhos ou por estarem fugindo do crime organizado”, disse Morales. “Eu sempre tive essa paixão em ajudar os migrantes, que é a razão pela qual, na nossa comunidade, temos um escritório por meio do qual ajudamos as pessoas a se tornarem cidadãos legais.”

“O próprio Jesus era alguém que incomodava as pessoas com a sua decisão de ajudar outras pessoas”, disse ela. “Ele deu a sua última gota de sangue para me ajudar, então como eu poderia não tentar fazer o mesmo para ajudar os outros?”

Morales está convencida de que a Igreja Católica é “a mãe do povo, e o seu papel é abraçar todas as pessoas, e o papa não é apenas o papa dos católicos, mas de todas as pessoas”.

Francisco, disse ela, está "fazendo a diferença, ele está realmente sendo um pastor e pedindo que o seu próprio povo tenha o cheiro das ovelhas, que realmente faça o trabalho, incomode as pessoas, como Jesus fez”.

“As pessoas nem sempre gostam de ouvir a verdade, e eu não acho que o papa apoie o socialismo, mas a Igreja é chamada a abraçar a todos”, disse ela, referindo-se às muitas vozes que criticam os movimentos sociais.

“Aqueles que criticam o papa por nos apoiar talvez devessem se perguntar do que eles têm medo: que o seu dinheiro desapareça? Que sejam chamados – ou inspirados por meio da oração, se forem pessoas de fé – a ajudar os outros, a distribuir melhor a sua riqueza, por exemplo, pagando um salário justo aos seus empregados?”

 

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