Boris Johnson se casa na Catedral de Westminster

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31 Mai 2021

 

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, casou-se com Carrie Symonds em uma cerimônia católica na Catedral de Westminster. A cerimônia pequena e discreta contou com a presença de alguns amigos íntimos e familiares.

A reportagem é de Ruth Gledhill, publicada em The Tablet, 30-05-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Downing Street, o escritório do primeiro-ministro, não quis comentar o fato, porque Johnson sempre atuou com base no princípio de que a sua vida pessoal deve permanecer privada.

O número total de convidados foi de 30, o máximo permitido pelas restrições da Covid-19, e o casamento ocorreu no início da tarde. A noiva usava um vestido branco esvoaçante, sem véu.

Eles se casaram perante o Pe. Daniel Humphreys, presbítero que batizou o filho deles, Wilfred, em setembro do ano passado.

Esta foi a primeira vez que um primeiro-ministro se casou enquanto estava no cargo desde Robert Banks Jenkinson, em 1822.

Johnson é divorciado duas vezes. Ele e sua segunda esposa, Marina Wheeler, foram casados por 27 anos e se divorciaram no ano passado. Eles tiveram quatro filhos. Johnson também tem uma filha com Helen McIntyre, uma consultora de arte. Ele foi casado com Allegra Mostyn-Owen de 1987 a 1993, e esse casamento foi anulado.

Muitos deputados e outras pessoas parabenizaram o casal no Twitter.

No entanto, algumas reações de dentro da Igreja Católica foram mais discretas.

O professor de teologia e religião Francis Davis tuitou: “Comentário de jargão romano-católico sobre direito canônico: QUE FIQUE CLARO @CardinalNichols e @RCWestminster acabaram de dizer aos filhos de Johnson que suas mães e pai nunca foram casados, e que suas mães não se importavam”.

O Pe. Mark Drew, padre assistente em Liverpool, escreveu: “Alguém pode me explicar como é que ‘Boris’ Johnson, que deixou a Igreja Católica enquanto estava em Eaton e é divorciado duas vezes, pode se casar na Catedral de Westminster, enquanto eu tenho que dizer a católicos praticantes de boa-fé e que desejam um segundo casamento na Igreja que isso não é possível?”.

Outros explicaram que, como Johnson foi batizado como católico, um casamento ocorrido em um ambiente não católico não seria reconhecido pela Igreja Católica, deixando-o livre para se casar novamente, se quisesse. Para um não católico convertido, no entanto, um primeiro casamento em um ambiente não católico seria reconhecido como válido pela Igreja, e este precisaria ser anulado se eles desejassem se casar novamente na Igreja Católica.

Outro usuário do Twitter escreveu: “Minha amiga, uma católica praticante, casou-se com um homem divorciado e teve que se casar no cartório. Ela ainda vai à missa, mas os sacramentos lhe são negados. Então, como diabos é que um divorciado múltiplo e adúltero em série consegue celebrar um casamento durante o confinamento em uma catedral católica?”.

A escritora de ficção Amanda Egan tuitou: “Eu não entendo. Ele se casou em uma catedral católica depois de dois divórcios. Para que o meu marido divorciado se casasse comigo na Inglaterra, tivemos que assistir a sessões de aconselhamento no vicariato, e ele praticamente teve que ser exorcizado!”.

Uma das explicações mais completas foi dada pelo biógrafo papal e comentarista Austen Ivereigh, que falou na BBC Radio 4 no programa Sunday.

Ele disse: “Muitos perguntarão: como é que a Igreja Católica, famosa pelo seu vigoroso compromisso com a permanência do matrimônio, pode estar testemunhando o casamento de um primeiro-ministro divorciado duas vezes que é publicamente notório pelo contrário disso? Que tipo de mensagem isso envia?”.

Os católicos têm direito aos sacramentos e, se cumprirem os requisitos da lei e aderirem de forma adequada a eles, ninguém pode impedi-los de exercer esses direitos, acrescentou.

Para se casar sacramentalmente, ambos os parceiros devem ser cristãos batizados (neste caso, ambos são católicos batizados), e pelo menos um deles deve ser católico. Carrie é católica-romana, conforme anunciou no Twitter em 2016. Boris é um anglicano convicto.

Ivereign disse: “Eles também devem ser ‘livres para casar’, ou seja, não já casados, casados com alguém do sexo oposto etc. Os dois casamentos anteriores de Boris (provavelmente) não tinham a forma canôniciva, ou seja, não são reconhecidos pela lei católica. Portanto, ele (provavelmente) não precisava de uma anulação”.

“Quando a forma canônica do matrimônio não é observada, e o casamento não é posteriormente validado na Igreja, um processo administrativo simples é usado para declarar tais casamentos inválidos segundo lei da Igreja.”

“Outra exigência é que os cônjuges envolvidos recebam uma instrução, para assegurar que eles entendem perfeitamente em que estão entrando e o que a Igreja ensina sobre o matrimônio (indissolubilidade etc.). Carrie e Boris receberam instrução durante muitos meses.”

“O padre que os instruiu, o administrador (chefe) da Catedral de Westminster, Pe. Daniel Humpreys, também batizou o filho deles, Wilfred, em dezembro, também na Capela de Nossa Senhora onde eles se casaram.”

Um comunicado da catedral afirma que ambos são paroquianos, por isso se casaram na igreja paroquial, e que “todas as medidas necessárias foram tomadas, tanto na igreja quanto no direito civil, e todas as formalidades cumpridas antes do casamento”.

Ivereigh disse: “Portanto, seja o que for que alguém pense sobre a decisão deles de se casarem sacramentalmente e sobre o testemunho da Igreja sobre esse casamento, eles estavam exercendo os seus direitos, e a Igreja fez de tudo para garantir que ele fosse solene e adequadamente celebrado”.

Ele concluiu: “Eu não acredito que Boris se tornará católico como primeiro-ministro – há muitos motivos, políticos e constitucionais, que tornam isso impossível. Mas esperemos que ele esteja em um caminho de fé e desejemos ao feliz casal todas as alegrias em sua vocação matrimonial”.

 

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