EUA: homilia em missa com a presença de Biden esclarece o que é ser “pró-vida”

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27 Janeiro 2021

Para o padre jesuíta William Kelley, “muitos católicos continuam interpretando a postura pró-vida da Igreja de um modo muito restrito”.

A reportagem é de Christopher White, publicada por National Catholic Reporter, 26-01-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quando o presidente Joe Biden participou da missa no domingo, 24 de janeiro, poucos dias depois de ser empossado, ele ouviu uma homilia que repreendeu diretamente as ações do seu antecessor e foi um apelo a seus companheiros católicos para verem a oposição à pena de morte como algo essencial à postura pró-vida da Igreja.

“Na corrida para a posse do presidente Biden na semana passada, assistimos com horror ao modo como o governo Trump, com uma pressa obscena, condenou à morte quatro homens e uma mulher, rompendo com um precedente de 130 anos de suspensão de execuções em meio a uma transição presidencial”, disse o padre jesuíta William Kelley, vigário paroquial da Igreja da Santíssima Trindade, em Georgetown.

“Essas mortes tornaram o Sr. Trump o presidente mais temerário do nosso país em termos de execuções em mais de um século, sendo responsável pelas execuções de 13 condenados à morte nos últimos sete meses”, observou Kelley em sua homilia.

A homilia de Kelley aconteceu antes da Marcha pela Vida, evento anual que atrai milhares de manifestantes pró-vida à capital do país todos os meses de janeiro, em protesto contra a decisão “Roe vs. Wade”, da Suprema Corte, em 1973, que legalizou o aborto em todo o país. Devido à pandemia da Covid-19, junto com questões gerais de segurança, a marcha deste ano será virtual.

Embora Kelley tenha dito que o “entusiasmo” em torno do evento a cada ano não deveria ser uma surpresa, dado o ensino da Igreja sobre o aborto, ele também disse que “muitos católicos continuam interpretando a postura pró-vida da Igreja de modo muito restrito”.

“De fato, eles se concentram quase exclusivamente em estratégias para eliminar o aborto. Embora o esforço louvável para proteger a vida no ventre materno seja um elemento essencial da doutrina da Igreja, ele não esgota a nossa preocupação com a vida humana. Nossa preocupação com a sacralidade da vida também deve incluir a qualidade da vida depois do nascimento”, acrescentou.

“Todo ser humano tem o direito de desfrutar dos frutos da criação de Deus por meio do acesso à alimentação, à moradia e aos cuidados médicos básicos. Além disso, a defesa da Igreja da santidade da vida exige que continuemos lidando com questões complicadas como o sofrimento humano no fim da vida e formas éticas de punir as pessoas que cometem crimes graves. A sacralidade da vida certamente também abrange essas questões.”

A participação de Biden na missa e a homilia de Kelley ocorreram poucos dias depois que o presidente da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos, o arcebispo de Los Angeles, José Gomez, emitiu uma declaração para o dia da posse delineando áreas de desacordo político com Biden em relação ao aborto e afirmando que “o aborto continua sendo a ‘prioridade preeminente’” dos bispos do país.

Kelley disse que a pena de morte deve ser uma questão de “grave preocupação” para os católicos e lembrou aos paroquianos que, em 2018, o Papa Francisco atualizou o Catecismo para declarar que a pena de morte é “inadmissível”.

“A nossa Igreja ensina inequivocamente que a pena de morte nunca é aceitável, em circunstância alguma, porque é um ataque à inviolabilidade e à dignidade da pessoa humana”, disse Kelley, lembrando que, anteriormente, “a Igreja aceitava relutantemente a pena de morte, mas apenas naquelas situações em que essa era a única forma possível de proteger cidadãos inocentes”.

“Mais do que no passado, diz o Papa Francisco, a Igreja hoje está ciente de que a dignidade de uma pessoa é inalienável e indelével. Em outras palavras, ela nunca pode ser perdida, nem mesmo por parte de quem comete um crime gravíssimo”, acrescentou.

Em 2020, os bispos dos Estados Unidos emitiram uma série de declarações conclamando Trump e o procurador-geral, William Barr, a suspender as execuções federais. Apesar de uma moratória bipartidária de quase duas décadas sobre o uso federal da pena de morte, Barr reestabeleceu a prática em 2019.

Em setembro de 2020, Barr foi homenageado pelo National Catholic Prayer Breakfast com um prêmio pelo seu serviço à Igreja, em um evento em que Trump também fez um discurso duro defendendo a sua reeleição, prometendo “defender o sagrado direito à vida”.

Kelley disse ao NCR que só foi informado de que Biden estaria presente na missa do meio-dia cerca de uma hora antes, embora Biden fosse um frequentador frequente da Igreja da Santíssima Trindade durante seus anos como vice-presidente.

Em dezembro de 2020, o pároco da Santíssima Trindade, o padre jesuíta Kevin Gillespie disse ao NCR que “a nossa missão é que sejamos uma paróquia que acolhe a todos, para acompanhar uns aos outros em Cristo, celebrar o amor de Deus e transformar a vida. Essa é a nossa declaração de missão”, disse Gillespie, “e Biden é mais do que bem-vindo aqui”.

“Pregamos justiça, mas não política”, acrescentou.

Durante uma entrevista coletiva na Casa Branca no dia 25 de janeiro, o secretário de imprensa, Jen Psaki, foi questionado se Biden planeja anunciar uma moratória à pena capital. Psaki disse que não tinha notícias a anunciar, mas acrescentou que “ele se opõe à pena de morte”.

Embora o presidente não tenha falado com os repórteres depois de sair da missa, a correspondente da Casa Branca da NPR, Ayesha Rascoe, gritou uma pergunta sobre se ele havia gostado da missa.

“Encantadora”, foi a sua resposta.

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