Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, fala a diplomatas vaticanos para que sejam “audaciosos” (como João Paulo II) sobre a China

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01 Outubro 2020

Falando em evento que incluiu o diplomata vaticano cardeal Pietro Parolin, em 30-09-2020, o secretário de Estados dos EUA Mike Pompeo fez várias críticas veladas à estratégia do papa Francisco de relação com o governo chinês e apareceu mais uma vez contrastando o atual pontífice com seus predecessores.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 30-09-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O comentário de dez minutos proferido por Pompeo, em um evento em Roma organizado pela embaixada dos EUA na Santa Sé, que contou com a presença de Parolin, demarcou o conhecido trabalho do Vaticano para renovar o acordo com Pequim sobre a ordenação de bispos católicos no país comunista.

Embora o oficial do governo dos EUA não tenha mencionado o acordo China-Vaticano, ele atacou o governo chinês em muitos pontos, declarando: “Em nenhum lugar a liberdade religiosa está tão sob assalto quanto na China”.

Pompeo também destacou o papel do papa João Paulo II, nos anos 1980, na ajuda para a queda dos regimes comunistas na Europa, e encerrou seu discurso destacando que João Paulo canonizou 87 mártires chineses em 2000.

“O papa João Paulo II deu testemunho para o sofrimento do seu rebanho, e desafiou a tirania”, disse o oficial estadunidense. Ele afirmou estar esperançoso de que a Igreja “seja audaciosa nos nossos tempos”.

Os comentários do secretário, dados em um evento focado em questões de liberdade religiosa internacional, pareceram representar um aumento da pressão pública do governo dos EUA contra a política papal.

Pompeo já havia criticado o acordo Vaticano-China em um artigo incomumente direto em 19 de setembro, publicado na revista de direita First Things, e mais tarde alegou, em um tuíte, que o Vaticano “põe em risco sua autoridade moral, caso renove o acordo”.

Parolin também discursou no evento de 30 de setembro, mas falou mais amplamente sobre o entendimento da Igreja Católica sobre a liberdade religiosa e não mencionou o nome da China. O arcebispo Paul Gallagher, vice de Parolin, também falou, e não mencionou a China.

Gallagher disse a jornalistas que não mencionou o país comunista ou seu histórico de direitos humanos, porque “não nomeamos e culpamos; normalmente é um dos princípios da diplomacia do Vaticano”.

Questionado sobre como as autoridades do Vaticano receberam o artigo de Pompeo em 19 de setembro, Gallagher respondeu: “Foi recebido criticamente”. Parolin disse a jornalistas mais tarde que as autoridades do Vaticano ficaram “surpresas” com o artigo.

O cardeal disse que a visita de Pompeo a Roma já estava marcada no momento da publicação do artigo e sugeriu: “Pareceu-nos que [a visita] seria o momento mais oportuno para falar sobre essas coisas”.

O acordo de Francisco com a China, feito pela primeira vez e com uma base provisória de dois anos em 2018, encerrou uma disputa de sete décadas sobre a nomeação de bispos católicos no país mais populoso do mundo.

Embora os detalhes do acordo não tenham sido tornados públicos, é amplamente conhecido que envolve a proposição de nomeação de novos bispos pelo governo chinês para o Vaticano, com a ajuda de um grupo estatal chamado “Associação Católica Patriótica”.

Depois o Papa toma a decisão final sobre quem nomear como bispo, com o poder de veto sobre o assunto efetivamente garantido.

Os críticos alegam que o envolvimento do Vaticano com a China é inadequado, dada a natureza autoritária do governo de Pequim e sua repressão às minorias religiosas e raciais, como a população uigur do país.

O diretor-editorial do Vaticano, Andrea Tornielli, respondeu a algumas dessas críticas em um editorial de 29 de setembro publicado no portal de notícias da cidade-estado, Vatican News. Tornielli afirmou que o acordo não visa abordar questões políticas, mas é “genuinamente pastoral”. Ele esclarece que o objetivo é permitir que os fiéis chineses tenham bispos católicos em plena comunhão com Roma.

Ao contrário de Pompeo, sobre o envolvimento de João Paulo II com os regimes comunistas, alguns especialistas católicos apontam mais para semelhanças do que contrastes entre as estratégias do antigo pontífice e de Francisco.

Francesco Sisci, um correspondente estrangeiro de longa data em Pequim para vários dos principais jornais da Itália, comparou a estratégia de Francisco com a usada por João Paulo II com o general Wojciech Jaruzelski, um ditador comunista que assumiu o controle da Polônia na década de 1980.

“Quando Jaruzelski assumiu o controle João Paulo II conversou e negociou com o general”, disse Sisci ao NCR, em agosto.

“Alguns católicos querem uma cruzada contra a China”, disse Sisci na ocasião. “Esses católicos não conhecem a história da Igreja, nem mesmo a história antiga, nem a história recente”.

Entre outros palestrantes no evento da embaixada estavam três embaixadores dos EUA; Callista Gingrich, embaixadora junto à Santa Sé; Nathan Sales, subsecretário em exercício para segurança civil, democracia e direitos humanos no Departamento de Estado; e, Samuel Brownback, embaixador geral para a liberdade religiosa internacional.

Pompeo visitou a Grécia dias antes de chegar a Roma, onde também agendou encontros com o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte e o chanceler italiano Luigi Di Maio. Pompeo deve se dirigir ao Vaticano em 1º de outubro para um encontro oficial com Parolin.

Gallagher afirmou aos jornalistas que os relatos de que Pompeo se encontraria com Francisco eram falsos, pois é um protocolo de longa-data do Vaticano de que o Papa não se encontre com oficiais estrangeiros quando seus países estiverem em meio a campanhas eleitorais.

O evento da embaixada ocorreu em um hotel em Roma, e também foi transmitido online.

Embora as pessoas participantes tenham sido encorajadas de antemão para usarem máscaras, um oficial, ao início da conferência, disse que por causa do distanciamento entre as cadeiras “vocês provavelmente não precisarão usar máscaras quando estiverem sentados”.

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